segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Ansiedade e impulso podem ser fatores para a quebra do isolamento


Já faz algum tempo que a Praia dos Crush, na área da Praia de Iracema, em Fortaleza, registra grandes aglomerações aos fins de semana. No último domingo (24), não foi diferente: milhares de pessoas, a maioria jovens, ocuparam a faixa de areia para confraternizar com amigos ou companhias que dão nome ao local, mesmo durante a pandemia da Covid-19. Na praia, a reportagem conversou com quatro grupos de adolescentes e jovens adultos para compreender o porquê da saída de casa mesmo com a doença ainda não controlada. A pedido dos entrevistados, nenhum terá o nome identificado.

Antes, um lembrete: até este sábado (28), o Ceará registrou 8.382 mortes por Covid-19 e 214.094 casos confirmados da doença. Os dados são da plataforma IntegraSUS, alimentada pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Em Fortaleza, foram 46.631 ocorrências e 3.777 mortos. Além disso, entre junho e agosto, as pessoas de 20 a 29 anos foram, proporcionalmente, as que mais tiveram novas contaminações pela doença. No grupo etário, são 36.466 casos e 88 óbitos.

Na Praia dos Crush, uma confusão de sons se mistura ao quebrar das ondas em frente ao Centro Cultural Belchior: são risadas, anúncios de vendedores de lanche e, principalmente, músicas de caixas de som tocando funk, brega funk e forró, que levam a cantorias e danças dos menos desinibidos. Os eletrônicos ficam lado a lado com coolers, garrafas de vinho e cachaça. Apesar de alguns grupos ficarem mais afastados, poucos seguem os dois metros mínimos de distanciamento recomendado por autoridades sanitárias.

Praticamente ninguém utiliza máscaras no local, apesar de lei estadual exigir seu uso fora de casa - sob pena de multa de até R$ 300 em caso de descumprimento - e da presença às dezenas de agentes da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), Guarda Municipal, além da Polícia Militar do Ceará. Quem chegava com a peça guardava-a nos bolsos ou mochilas.

"Assim, né, a quarentena acabou. Tá todo mundo saindo de casa, eu que não ia ficar", dispara uma garota de 18 anos num grupo de seis pessoas. Sem máscara, ela insistiu em dizer que o material "incomoda demais". "Pra quem usa óculos como eu, é horrível porque embaça a lente", confirma uma amiga, que ainda dá bronca na outra: "Tu não só se preocupa porque não conhece ninguém que morreu".

Segundo a psicóloga e analista do comportamento Carolina Ramos, a transição da adolescência para a vida adulta é marcada por uma busca por identidade e aceitação desenvolvida principalmente pela convivência com pares semelhantes. Para "lutar contra uma angústia típica da fase, de rejeição e solidão", os jovens tratam suas necessidades de bem-estar como prioridade.

Informações do Diário do Nordeste.

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