quarta-feira, 3 de junho de 2020

Número de óbitos por Covid-19 supera o de assassinatos no Ceará

O novo coronavírus ataca em silêncio, é invisível, mas deixa um rastro de morte. No Ceará, os óbitos por Covid-19 registrados até o último boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde (Sesa), às 19h27 de ontem, superam todos os Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) de 2019.

Na balança, estão 12 meses de letalidade no âmbito da segurança contra 80 dias de uma grave doença que virou rotina. Ao longo do último ano, 2.257 pessoas perderam a vida no Estado por conta de homicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte) e lesões corporais com óbito. Os mortos pela infecção viral são 3.504.

Esse é o retrato da crise sanitária global em uma zona com altas taxas de violência. Por si, as 24,7 mortes por 100 mil habitantes do período passado já configuram uma epidemia na segurança: para as Organizações das Nações Unidas (ONU), o teto do índice é 10. Assim, o conflito está instaurado e a única refém é a população cearense, estimada em 9,1 milhões. No caso da Covid-19, muda ainda a despedida. As vítimas devem partir sem cerimônia de sepultamento e com caixões lacrados, sob risco de contaminação.


"Nós fizemos um velório virtual. Amigos e irmãos, todos acessamos um aplicativo e ficamos relembrando a vida dele, cantamos, oramos, falamos de momentos. Ele era muito alegre, gostava de churrasco e tinha um monte de cachorro. No dia seguinte, foi o velório, só podem ir 10 pessoas, mas eu digo para todos que a dor é grande porque essa doença não nos deixa velar, ver a pessoa, nem se despedir", afirmou a contadora Aldair Barros, irmã de uma das milhares de vítimas no Ceará.

A leitura mais precisa então é longe de números, mas nomes. Como o próprio enredo de Salomão Rodrigues, de 63 anos, pessoa disposta a enfrentar a doença como motorista do Samu em uma unidade de saúde de Maracanaú. E a missão foi bem executada, até o momento de partir: dia 13 de maio.

"A gente dizia para não ir por conta da idade, alguns problemas de saúde que o deixavam no grupo de risco, mas ele disse que tinha de ajudar, não podia parar logo na pandemia. E sempre que voltava para casa, falava que companheiros de trabalho estavam infectados, até médicos. Não tinha jeito, Salomão foi muito relutante, a vida dele foi dedicada ao serviço de saúde", finalizou.

Informações do Diário do Nordeste

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