sábado, 20 de junho de 2020

Autistas podem fazer parte do grupo de risco da Covid-19, revela pesquisa da Uece


Pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos em Neuroinflamação e Neurotoxicologia (Genit), da Universidade Estadual do Ceará, revela a possibilidade de autistas pertencerem ao grupo de risco da Covid-19. Segundo os pesquisadores, o estudo ganha relevância considerando a estimativa de que existam, aproximadamente, 70 milhões de autistas no mundo. A hipótese tem como base as características do Transtorno do Espectro Autista (TEA), como o desequilíbrio imunológico e outras particularidades que tornam as pessoas autistas mais suscetíveis a infecções e comorbidades.

O estudo intitulado “Os distúrbios do espectro do autismo podem ser um fator de risco para o Covid-19?” ganhou visibilidade internacional, após ser divulgado em biblioteca virtual da Organização Mundial da Saúde. Para chegar à conclusão de que os autistas podem ser considerados grupo mais vulnerável diante da pandemia do novo coronavírus, os pesquisadores avaliaram alguns pontos de agravamento. Entre eles, a desregulação imunológica, o estado constante de inflamação endógena, a neuroinflamação, e o fato de a TEA e a Covid-19 afetarem principalmente a população do sexo masculino.

De acordo com o pesquisador e coordenador do Genit, professor Gislei Frota, quanto mais grave as condições do espectro, mais alterações metabólicas e hormonais o autista pode ter. "Outro fator de agravamento", diz o pesquisador, "seria a dificuldade de controle comportamental, que favorece ainda mais essa vulnerabilidade". “O autista é o tipo de pessoa que você tem dificuldade de fazer o controle, por exemplo, no uso de máscara ou de evitar que ele leve a mão à boca”, explica.

A seletividade alimentar também é citada pelo professor como outro hábito que pode contribuir para as comorbidades, sobretudo quando há preferência por alimentos de baixo valor nutricional. "Isso faz com que haja uma desregulação nutricional que leva o autista a desenvolver a obesidade. Não é à toa que o percentual de autistas obesos é maior que o da população normal", esclarece o professor Gislei.

Segundo o pesquisador, os autistas também costumam ter outras comorbidades, como o distúrbio de sono, que leva ao aumento da ansiedade e do stress - condições que alteram o metabolismo e enfraquecem a imunidade de uma pessoa. "Assim, a gente fez essa prospecção de vários trabalhos já publicados na literatura das comorbidades, e chegamos a conclusão de que pessoas com TEA são mais suscetíveis a infecções", pontua. O estudo, realizado na Universidade Estadual do Ceará, também teve participação dos pesquisadores Matheus Eugênio Lima e Levi Barros.

A proposta, segundo o professor Gislei, é chamar a atenção da comunidade médica e científica para as pessoas com autismo, principalmente por ser uma população que vem crescendo a cada ano. “Esse trabalho não é para assustar as pessoas ou colocá-las em pânico. Pelo contrário, é para proteger. Trabalhamos com pessoas autistas e queremos incluí-las em políticas públicas que atendam a essas pessoas do grupo de risco da Covid-19”, finaliza.

Informações do Diário do Nordeste.

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