quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Derrotas em redutos de aliados tiraram Eunício do Senado

Derrotas em redutos dominados por candidatos da base aliada foram decisivas para o fracasso de Eunício Oliveira (MDB) contra Eduardo Girão (Pros) na disputa pelo Senado. Entre os 33 municípios do Ceará onde o emedebista perdeu para o adversário, apenas dois não deram votações expressivas para deputados eleitos aliados de Camilo Santana (PT).

Em todos os outros, pelo menos um candidato próximo do governo foi eleito com grande votação que não se refletiu em votos para Eunício. Observando o mapa das vitórias de Girão, real empenho de deputados da base pela vitória do emedebista fica sob suspeita. Durante a campanha, foram vários os rumores sobre "traições" de aliados contra Eunício.

Em alguns casos, municípios que deram votações expressivas para mais de um deputado da base só arregimentaram poucos votos para o emedebista. Apesar de ter conseguido a maior parte da votação na Região Metropolitana de Fortaleza, Eduardo Girão teve municípios do Interior como "fiéis da balança" para os menos de 12 mil votos que lhe garantiram a vitória.


Segundo o coronel Plauto de Lima, um dos articuladores da campanha de Girão, não houve qualquer tipo de acordo entre o candidato do Pros e deputados da base. Ele destaca, no entanto, ter notado perceptível movimento de lideranças locais em "abrir" o 2º voto para o Senado, sem pedir apoio a Eunício. "Deram uma de Pôncio Pilatos: lavaram as mãos".

Casos notáveis envolvem os deputados José Guimarães (PT) Dr. Sarto (PDT). Em três municípios onde eles foram os mais votados, Eunício teve pequena votação e acabou derrotado. "A rigor, não fiz campanha para o Eunício. Deixei as bases à vontade, só tinha um senador, que era o Cid", admite Sarto, que em setembro prometia pedir votos ao emedebista.

"Meu grupo ficou chateado com apoio de Eunício a grupos opostos em Acopiara (base do deputado), então acabou optando por outra candidatura. Ainda ponderei que Camilo e Cid tinham pedido pelo Eunício, mas não deu", explica Sarto. "Ele tentou puxar voto para aliados na base de outros, então criou uma ambiência muito ruim. Foi muito pouco hábil", disse.

Plauto destaca ainda que, em várias regiões, líderes locais mesmo os ligados à base aliada enxergaram a disputa entre Eunício e Girão como oportunidade de fazer uma "prévia" da eleição municipal de 2020. "Como o MDB tinha muitos desses prefeitos, muita gente da oposição viu nisso uma oportunidade de ver as chances para 2020", diz.

Em Quixeramobim, reduto histórico de José Guimarães e onde Girão venceu por mais de 10 mil votos de diferença, pesou nesse sentido racha entre o prefeito, Clébio Pavone (SD), e o vice, Sargento Rogério (Pros). Em cidades como Santa Quitéria, circularam adesivos que uniam Camilo, Guimarães, o deputado estadual Bruno Pedrosa (PP) e Eduardo Girão.

 A reportagem tentou entrar em contato com José Guimarães para falar sobre o caso. O deputado, no entanto, não atendeu ligações. A assessoria de Eunício Oliveira disse que ele não irá se manifestar sobre o assunto.

O POVO

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