quinta-feira, 12 de abril de 2018

Senhores vereadores: com o Pier e sem o Pier, o perigo sempre existiu e sempre existirá!

Fato: o banho é bom, gostoso, cheio de adrenalina, mas é perigoso!

(Foto/fonte: A vida que Eu Recomendo)


Os vereadores de Camocim, boa parte, principalmente os da Situação, adotaram uma estrategia coletiva que mais parece um mantra. Ele repetiram por várias vezes hoje na sessão da Câmara o seguinte argumento: "desde que sou criança que vejo os jovens tomando banho no trampolim da Beira Mar. Eu fui jovem e também tomei banho lá. É uma prática bem antiga". Esse texto pronto foi o que mais se ouviu dos vereadores situacionista quando trataram da tragédia do garoto de 13 anos, que se afogou e morreu ao pular do Pier, na última segunda-feira.

Foi um texto formulado como tese de defesa da prefeita, para lhe tirar qualquer culpa do ocorrido enquanto gestora da cidade. Entretanto, é uma defesa que não faz sentido algum! Apenas levanta um fato histórico da cultura local, que é o banho no rio, por sinal, comprovadamente, muito prazeroso. Mas, tirando o prazer, vamos ao que realmente interessa no debate público, suscitado pela tragédia recente.

Pois bem, a pergunta que segue é destinada aos vereadores e demais babacas de plantão, especialmente os inúteis do império Aguiar:

Quem  disse que o banho ali, no Pier, nunca foi perigoso? E quem duvida que tomar banho lá não seja uma atividade de risco? vocês? baseado em que?  somente na experiência jovem de cada um?

O comentário dos vereadores foi de uma irresponsabilidade, talvez, mais agressiva do que a falta de salva-vidas no local. Se não fosse drástico, até que poderia virar piada.

Onde já se viu, querer agregar valores a uma cultura irresponsável de negligência municipal  para justificar uma tragédia anunciada, apenas para defender a imagem da Gestão Municipal? A tese dos vereadores é pequena, ridícula e uma tremenda sacanagem!

Ora, o banho no Pier, assim como em toda a extensão do Balaustre da Beira Mar, é perigoso sim! E não vai ser o simples fato histórico, de banhos livres, sem restrição alguma no local, que irá tornar o referido ambiente menos perigoso. É uma diversão, repito: perigosa! É, e sempre foi, um local merecedor de todo e qualquer cuidado por parte da Gestão Municipal, como também por parte dos banhistas, tanto os quem tem muita experiência e mais ainda os quem não tem pratica alguma.

Cuidar da segurança pública não é uma opção dada a Gestão Municipal, é uma obrigação! e neste caso, a prefeitura tem, pelo menos, a obrigação de  informar sobre os perigos que o local oferece para quem pretende se aventurar nas águas, e se não for sonhar muito alto: colocar salva-vidas no local seria o ideal.

Ocorre que, a bem da verdade, nenhum gestor na história da cidade, que eu lembre ou que tenha conhecimento, se atentou para este risco eminente situado na região de banho próxima a Pracinha do Amor. A questão, ao longo dos tempos, sempre foi naturalizada pelos nossos políticos, tanto do Legislativo como do Executivo.

Se percebe que o fator cultural - do banho livre, sem nenhuma restrição ou alerta de perigo-, sempre foi mais forte do que a necessidade de tratar do tema. Ma isso, obviamente, não significa dizer que a Municipalidade não tenha responsabilidade alguma nesta questão. Significa dizer que o Município simplesmente  foi negligente.

Em várias cidades em que a gestão municipal tem compromisso com o bem coletivo, nas áreas de lazer, de banho de rios, cachoeiras, prias e outros, existem placas de informação do tipo: "proibido tomar banho", " banho perigoso" ou  "cuidado". A pessoa pode até ignorar as placas, mas já sabe que sua aventura poderá ser fatal.

Dirão: mesmo com salva-vidas no local, placas de informação com alertas de proibição, as pessoas acabam encontrando maneiras de transgredir nornas e regras para se submeterem aos risco dos acidentes....Sim, lógico! Porém, o Município neste caso não poderá ser acusado de negligência, pois fez sua parte, cumprindo com sua obrigação.

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