sábado, 6 de janeiro de 2018

Diocese no Paraná proíbe bebidas alcoólicas em eventos da Igreja Católica

Decreto que proíbe a comercialização em Francisco Beltrão entrou em vigor no dia 1º de janeiro


Há alguns anos a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) vem defendendo a tese de que cada diocese restrinja ou até proíba a comercialização e consumo de bebidas alcóolicas nos ambientes da Igreja Católica. 

O debate ganhou mais força em 2014. Na Diocese de Palmas-Francisco Beltrão, o assunto foi proposto pelo bispo na época, dom José Antônio Peruzzo (2005 a 2015), que redigiu um texto enaltecendo os motivos de colocar em prática tal ação. Nos últimos dois anos, as comunidades, paróquias e padres tiveram tempo para conscientizar e ampliar o debate. 

Assim, desde o dia 1° de janeiro deste ano, entrou em vigor o decreto que proíbe a comercialização e o consumo de bebidas com teor alcóolico em todos os eventos promovidos pelas paróquias e comunidades da Diocese, sem exceções, incluindo festas, jantares, almoços, festividades e noites culturais. 


Para o bem das famílias

O bispo diocesano dom Edgar Xavier Ertl, que assinou o decreto, justifica que "o objetivo principal era sobre os malefícios que as bebidas alcoólicas causam nas pessoas, principalmente nas famílias". Dom Peruzzo, na sua sabedoria, juntamente com o clero, deixou o decreto pronto. Ele ficou na vacância, à sombra das preocupações da Diocese, mas quando assumi a Diocese, no ano passado, demos uma importância e foi decidido que em 2017 fosse ainda conhecido e refletido pela comunidade".

O vigário geral da diocese, padre Geraldo Macagnan, reforça que a intenção da decisão é conter os exageros e fazer com que as festas das comunidades sejam familiares, sem interferência da bebida alcoólica e seus prejuízos. "Quando a bebida está à frente, rompe com a questão de convivência e é culpada por acidentes, agressões familiares e até problemas econômicos. Temos consciência disso e não queremos ser responsáveis por proporcionar esses ambientes", afirma o padre. 

Contrato de moderação em alguns casos
A igreja possui vários pavilhões, os quais são muito utilizados por empresas, entidades e pessoas para realização de eventos diversificados. Para o coordenador da Ação Evangelizadora na diocese, padre Emerson Detoni, "nos eventos que não são promovidos pela igreja católica, mas são cedidos para casamentos, batizados, datas comemorativas, pedimos que, na medida do possível, não haja o consumo". 

É o que determina o artigo 2° do decreto: "Quando for cedido, emprestado ou locado o espaço físico da Igreja para celebrações de festas de casamentos, batizados, bodas, festas familiares, datas natalícias e afins, recomenda-se que sejam feitos sem o consumo de bebidas alcoólicas, conforme orientação e conscientização da Igreja". 

Se, mesmo assim, houver o consumo, "quem promove o evento assume o compromisso formal (contrato) de manter a moderação no uso de bebidas alcoólicas bem como a responsabilidade de manter a ordem em todo o ambiente e assumir os danos de qualquer natureza", rege o parágrafo único do mesmo artigo.

Conscientização precisa acontecer
Aproximadamente 1.200 comunidades estão ligadas ao catolicismo na região Sudoeste. O trabalho de fiscalização e orientação cabe a cada Paróquia. "Vai depender muito do padre que estará à frente para acompanhar, formar os leigos. Uma comunidade existe em comunhão com a igreja como um todo. A partir do momento que a comunidade quebra a comunhão com a igreja, ela deixa de existir", defende padre Detoni.

Para o bispo dom Edgar, tudo vai depender de conscientização e adaptação. "Daqui dois anos a população, em especial os católicos, estarão nos agradecendo pela iniciativa e coragem. As nossas festas serão alegres no mesmo modo. Com essa diferença, vamos sentar à mesa, nos encontrar sem consumir bebidas alcoólicas", destaca.

Padre Geraldo também acredita que haverá resistência e incompreensão no início, "mas é uma questão de tempo e também de compreensão do real sentido deste decreto, aí os benefícios serão certamente percebidos com o passar do tempo". 

Com informações Jornal de Beltrão/RBJ

Nenhum comentário: