terça-feira, 3 de outubro de 2017

Massacre no Carandiru completa 25 anos sem punição

Considerado o maior caso de assassinato da história dos presídios do Brasil, o Massacre do Carandiru completa 25 anos nesta segunda-feira, 2, e sem nenhuma punição para os responsáveis pelas mortes de 111 detentos.

Os presos foram assassinados durante uma operação policial para reprimir uma rebelião no "Pavilhão 9" da penitenciária. Na época, seis julgamentos foram realizados. Em 2001, o coronel Ubiratan Guimarães, que comandou a operação, foi condenado a 632 anos de prisão pela morte de 102 dos 111 prisioneiros. No entanto, a defesa de Guimarães recorreu da sentença e ela foi revertida, sendo anulada pelo Tribunal de Justiça em 2006. 

Entre os anos de 2013 e 2014, outros julgamentos foram feitos, já que o processo foi desmembrado em quatro partes por conter muitos réus e vítimas. No total, 73 policiais foram condenados pelas 111 mortes. As penas variavam de 48 a 624 anos. Por sua vez, a defesa dos policiais decidiram recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo pedindo a anulação dos julgamentos.
    
No dia 27 de setembro do ano passado, três desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal do Júri, responsáveis pelo recurso da defesa dos réus, decidiram anular os julgamentos anteriores.
    
Os magistrados alegaram que não havia elementos para mostrar quais foram os crimes cometidos por cada um dos agentes. No último dia 11 de abril, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão. Em contrapartida, a maioria dos desembargadores, que representa a segunda instância da justiça, determinou que os réus fossem julgados novamente em datas a serem marcadas por um juiz de primeira instância, o que ainda não ocorreu.

O caso ainda segue sob segredo de justiça porque a defesa dos réus conseguiu autorização judicial para que os nomes dos policiais não fossem divulgados.De todos os réus, apenas um está preso, no entanto, por cometer outro crime, executar travestis. A invasão do Carandiru ocorreu na tarde do dia 02 de outubro de 1992, por voltas das 14h, no Pavilhão 9, na Casa de Detenção de São Paulo. 

O complexo penitenciário, que foi construído nos anos 1920 no bairro do Carandiru, na zona norte da capital paulista, era formado por sete pavilhões ativos e contava com 7.257 presos. Cerca de 2.706 dos detentos viviam no Pavilhão 9, onde uma operação policial invadiu o local para tentar conter uma rebelião entre os presos.

Fonte: Ansa

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