segunda-feira, 18 de setembro de 2017

"UM TIRO NO PÉ" NA CANDIDATURA DE CIRO GOMES


Um “tiro no pé” para candidatura de Ciro Caso prospere a retomada da aliança entre o grupo dos Ferreira Gomes - que inclui o governador Camilo Santana (PT) - e o senador Eunício Oliveira (PMDB), não restam dúvidas de que o mais prejudicado com essa reacomodação de forças seria o ex-ministro e presidenciável Ciro Gomes (PDT). Desde que colocou em campo sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, Ciro se vende, basicamente, como oposição a tudo de negativo que representaria o PMDB: anti-Temer, anti-Renan Calheiros, anti-Cunha, anti-Eunício. Um nome que, chegando ao poder, pretende romper com as ditas práticas fisiológicas patrocinadas pela sigla que atualmente comanda o País. Contra o que considera atraso, Ciro se coloca como saída progressista. Uma nova união com o presidente do Senado - já classificado de “aventureiro, lambanceiro e mentiroso” pelo ex-governador - desidrataria o discurso construído ao longo dos últimos meses e alimentaria uma crise de credibilidade no clã cearense. Um verdadeiro “tiro no pé” nas pretensões presidenciais de Ciro Gomes. A não ser que a empreitada não configure prioridade e o objetivo central seja facilitar a reeleição de Camilo Santana. Ressalte-se que qualquer tentativa de colocar a decisão apenas nas mãos do petista soaria falsa. O governador é umbilicalmente ligado a Cid e Ciro, e jamais tomaria uma decisão como essa de forma unilateral. Ao mesmo tempo, seria um episódio a comprovar a mise-en-scène da nossa política, em que inimigos viram melhores pessoas ao sabor das circunstâncias, e vice-versa. Um teatral jogo de xadrez que precisa ser observado com atenção pelos eleitores.

Ítalo Coriolano, editor-adjunto de Conjuntura do O POVO


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