segunda-feira, 22 de maio de 2017

DOM JAVIER FOI (É) UM BISPO BEM ADIANTE DO CLERO DE TIANGUÁ

E que seja abençoado o novo bispo, Dom Edimilson! 

E hoje, ao folhear a “Alegria do Evangelho”, do Papa Francisco, encontrei a definição quase exata do que foi o bispado do nosso querido Dom Javier, bispo emérito da diocese de Tianguá, que no último sábado, dia 20, oficialmente passou a responsabilidade administrativa e pastoral para o novo Bispo, Dom Edimilson. Eis o que diz o  papa Francisco sobre o papel de um bispo:

“O Bispo deve favorecer sempre a comunhão missionária na sua Igreja diocesana, seguindo o ideal das primeiras comunidades cristãs, em que os crentes tinham um só coração e uma só alma (cf. Act 4, 32) . Para isso, às vezes pôr-se-á à frente para indicar a estrada e sustentar a esperança do povo, outras vezes manter-se-á simplesmente no meio de todos com a sua proximidade simples e misericordiosa e, em certas circunstâncias, deverá caminhar atrás do povo, para ajudar aqueles que se atrasaram e sobretudo porque o próprio rebanho possui o olfacto para encontrar novas estradas. Na sua missão de promover uma comunhão dinâmica, aberta e missionária, deverá estimular e procurar o amadurecimento dos organismos de participação propostos pelo Código de Direito Canônico [34] e de outras formas de diálogo pastoral, com o desejo de ouvir a todos, e não apenas alguns sempre prontos a lisonjeá-lo. Mas o objectivo destes processos participativos não há-de ser principalmente a organização eclesial, mas o sonho missionário de chegar a todos”.

Não caberia aqui elencar todas as realizações do bispado de Dom Javier, mas, vale a pena dizer que, apesar dele não ter sido  perfeito - ninguém é -, sua ação foi marcada pelo suficiente esforço, carinho, dedicação e zelo missionário para corresponder à missão. Em análise particular, o tenho em conta de “um bom pastor”, por todas as necessárias  provocações que fez na diocese de Tianguá, pelo “bom insulto” ao clero, ao  laicato e as comunidades eclesiais de base para o exercício de um protagonismo cristão audacioso, combativo, reflexivo, com caridade, profetismo e com a autonomia do Evangelho de Jesus Cristo. Foi um estimulo para a Igreja se preocupar com a transformação da sociedade, considerando os valores do Reino de Jesus. 

Mas, nem todos quiseram entender tal proposta. E destes "nem todos", destaco primordialmente  uma considerável parte do nosso Clero,  a "elite eclesial", que na prática fez "vista grossa", em detrimento de uma pastoral retrógrada, obsoleta, clericalmente hierárquica e autoritária, vaidosa, fundamentalista, alienada e travestida de falsa caridade para com o laicato, principalmente para com os mais pobres, já que costumam bajular e serem bajulados pela elite financeira social, que explora os pobres, mas que ajudam com quantias gordas nas ofertas dominicais, nas festas paroquiais etc. - É mais fácil o clero se incomodar com esta genérica critica, e me denunciar, do que se incomodar com os problemas reais existentes em suas paróquias, atentando contra a dignidade dos pobres e trabalhadores, problemas que certamente não são proporcionados por mim.

Parte dos nossos sacerdotes, além do visível despreparo e personificação da arrogância, aparentemente, se consideram acima de qualquer critica, utilizando a batina como um escudo e como uma credencial para justificar o atropelamento do Evangelho de Jesus Cristo  perante a sociedade.

Olhando para o contexto, considero estranho o fato da dimensão social da fé, enquanto uma das 5 urgências da Igreja diocesana,  nunca ter recebido uma avaliação positiva, como algo bem trabalhado em toda a Diocese, por todas as paróquias. Salvo a antiga equipe diocesana de Pastoral Social - agora Cáritas - que desenvolveu com muito sacrifico algumas ações bem pontuais e as vezes até enfrentando criticas. Porém, vale lembrar que esta urgência é "dever de casa"de cada paróquia! Deve ser estimulada primeiramente pelo pároco, levando em consideração o fato dos leigos "ainda" terem o costume  da obediência cega  e cumprimento  inquestionável das "ordens" clericais!

E como seria mais fácil se a dedicação dos nossos párocos por este aspecto da fé fosse tratado igualmente como é tratada, por exemplo, a pastoral do dízimo, inclusive com a "missa do dizimista".

E as ações de promoção da dignidade humana!?!!!

Também considero estranho a dificuldade que as paróquias encontram para  tratar com seriedade desta questão "fé e vida".

Não é atoa que, documentalmente, se tem falado de "Conversão Pastoral" e de superação da pastoral de manutenção. Certamente, em nossa Diocese, ainda estamos muito longe destas coisas.

Existem muitos padre bons em Tianguá - não generalizo - e  foram justamente estes - os bons – que ajudaram com o projeto pastoral de Dom Javier.  Mas, por outro lado, é de se imaginar: o quanto o "bom pastor" deve ter sofrido com parte do clero demostrando  sintomas de “bipolaridade eclesial?!”. Não deve ter sido fácil!

Já  do  novo Bispo, Dom Edimilson, que vem das bandas do Cariri, diocese de Crato, espera-se que “esteja” para ficar em sintonia plena com as motivações do Papa Francisco e, acima de tudo, com o Evangelho de Jesus: para que tenhamos uma Igreja pobre,  para os pobres, misericordiosa,  em saída inteligente e constante para o mundo, para as periferias geograficas e existências. E nisto, espera-se que Dom Edmilson seja combatente da “pastoral de manutenção”  em vistas da “conversão pastoral” proposta pelo Santo Padre.

Por fim, que Dom Edimilson possa colaborar com as transformações que  Dom  Javier, devido ao tempo de Deus, não conseguiu realizar. E que seja abençoado!


Carlos Jardel 

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