segunda-feira, 20 de junho de 2016

NÚMERO DE MULHERES DE MOTO CRESCE OITO VEZES EM UMA DÉCADA

Herê Aquino, diretora de teatro, é uma mulher à frente de seu tempo. Há mais de 30 anos, ela segue para todos os lugares de Fortaleza, e mesmo para pequenas viagens, sobre duas rodas, numa moto Titã 120. “Não compro carro porque não me faz a menor falta. Não tem quem faça. A gente perde muito tempo presa em engarrafamento”, diz.

As duas, Herê e a moto, já rodaram pelo Ceará: foram para Canoa Quebrada e subiram a serra de Guaramiranga. Mas, não é esse o principal motivo para Herê gostar tanto do veículo. “O vento no rosto e a sensação de liberdade é o melhor”, descreve.

Herê faz parte de uma estatística em crescimento no Estado. Na última década, o número de mulheres no Ceará a tirar cartas para motos cresceu oito vezes. Passou de 22.540 mil, em 2006, para 183.655, até maio deste ano.

Embora a quantidade de homens habilitados ainda seja massivamente maior, o avanço da quantidade de mulheres que buscam o meio de locomoção é bem maior. No mesmo período, o número de homens habilitados pouco menos que triplicou. Passou de 297.415 (2006) para 825.469 (maio de 2016).

No intervalo de fez anos, portanto, o número de autorizações para guiar motos no Ceará cresceu 177% entre homens. Entre as mulheres, o índice foi de 714% — quatro vezes maior.

Menos acidentes


“A mulher, na medida em que se coloca e se envolve mais no mercado de trabalho, vai criando independência e se desafiando”, define a diretora de Planejamento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Lorena Moreira.

O uso do veículo por mulheres envolve também, de acordo com a diretora do Detran, mais cautela. Proporcionalmente, elas se envolvem em menos acidentes que os homens.

A encarregada de estoque, Suzi Emanuela Gonçalves, 32, se orgulha de nunca ter provocado acidente de moto. Ela tem habilitação desde 2007.

Guio com muita prudência e não tenho medo”, conta. A principal motivação para o deslocamento sobre duas rodas é que ela mora em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), e trabalha na Capital. O veículo confere a ele velocidade nesse deslocamento entre municípios, mesmo sem descuidar da segurança.

“Se fosse de ônibus, levaria duas horas para chegar. De moto, gasto 40 minutos”, relata Suzi.

Na casa de Suzi, não há espaço para carros. Tanto ela, o irmão, o pai e a mãe têm cada qual a sua moto. “É preciso cautela, mas é muito bom”. (Angélica Feitosa — angelica@opovo.com.br)

O Povo

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