Um gesto de amor e coragem tem chamado atenção no Ceará. Um casal decidiu adotar um adolescente de 16 anos e acabou enfrentando preconceitos e questionamentos sobre a chamada adoção tardia, realidade ainda cercada por estigmas no Brasil.
Moradores de Fortaleza, Vanessa e Talvany Pinheiro abriram as portas de casa e do coração para João, hoje com 17 anos, após ele passar praticamente toda a infância em uma instituição de acolhimento. A aproximação aconteceu durante uma visita voluntária, quando o casal conheceu o adolescente e criou uma conexão imediata.
Segundo eles, nunca houve medo diante da decisão. O casal conta que ouviu comentários negativos e dúvidas sobre adotar um jovem já adolescente, principalmente pela ideia equivocada de que jovens mais velhos teriam maior dificuldade de adaptação familiar.
Apesar dos desafios, a convivência fortaleceu os laços. Um dos momentos mais marcantes para a família aconteceu quando João chamou Vanessa de “mãe” pela primeira vez, durante um momento de fragilidade, enquanto estava doente.
A história também chama atenção para uma realidade pouco debatida. No Brasil, a maioria dos pretendentes à adoção busca crianças pequenas, enquanto adolescentes acabam permanecendo por mais tempo em instituições de acolhimento, aguardando uma oportunidade de convivência familiar.
O caso da família cearense reforça a importância da adoção tardia e mostra que vínculo, afeto e pertencimento podem surgir em qualquer fase da vida.
Via Diário do Nordeste

