Levantamento inédito do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que 66,3% dos feminicídios no Brasil acontecem dentro da própria casa da vítima. O que deveria ser um espaço de proteção e acolhimento acaba se tornando o lugar mais perigoso para muitas mulheres.
Entre os instrumentos de violência mais utilizados estão os objetos presentes no cotidiano. A arma branca, como facas, machados e tesouras, aparece em 48,7% dos casos, seguida pelas armas de fogo, responsáveis por 25,2% das mortes.
O país chega aos 20 anos da Lei Maria da Penha enfrentando um paradoxo: enquanto os índices gerais de mortes violentas caem, os feminicídios seguem em crescimento. Em 2025, foram registrados 1.568 casos, o maior número da série histórica, representando aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Nos últimos cinco anos, o crescimento chega a 14,5%.
O estudo também mostra que apenas 13,1% das vítimas tinham medida protetiva de urgência no momento em que foram assassinadas. Ou seja, nove em cada dez mulheres mortas não possuíam a proteção judicial prevista na lei.
Segundo Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum, o baixo número de medidas não indica falha do Judiciário. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que 621 mil medidas protetivas foram concedidas no último ano, cerca de 90% dos pedidos.
“Temos quase 87% das vítimas sem medida protetiva e muitas sequer registraram ocorrência contra o agressor. O desafio é conseguir chegar até essas mulheres. Por outro lado, 13% buscaram ajuda do Estado e, ainda assim, falhamos com elas”, afirma.
Diante desses dados, o 8 de Março se reafirma como um dia de luta no Brasil. Atos estão sendo convocados em diversas cidades.

