MAQUIAVEL O MAQUIAVÉLICO - Revista Camocim

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sexta-feira, 17 de julho de 2015

MAQUIAVEL O MAQUIAVÉLICO

Nicolau Maquiavel nasceu em Florença na Itália, no ano de 1469, é dele o polêmico livro: “O Príncipe”, acreditam os historiadores ser inspirado em César Bórgia. Maquiavel depois de conhecê-lo escreve um livro baseado naquele líder audacioso e cheio de qualidade políticas e militares; ali Maquiavel vê o grande personagem para o seu principal trabalho. 

É com o livro “O Príncipe” que Maquiavel descreve sobre as formas de poder existentes e também dos dois principais tipos de governo: a monarquia e a república. E mostra o que um governante precisa fazer para conseguir manter-se no poder, e claro ser respeitado. O livro não fala de ética, o que é falado são as maneiras de manutenção do poder e esse ponto se deve porque há a clara separação entre ética e moral dentro da obra.

Vendo pelos olhos de Maquiavel vê-se que a ética e a moral são coisas bem distintas. Porque com relação à moral é necessário aplicar regras de realidades históricas, segundo ele, a moral antecede a própria ética e esta é manifestada nas mais diferentes sociedades tendo como função regular as relações entre os indivíduos e a comunidade ajudando assim na ordem social; desse modo, a política aos poucos, deixa de ser vista como uma verdade imutável. 

No livro “O Príncipe” vê que para Maquiavel a política deve se preocupar com as coisas do jeito que elas são e não como deveriam ser. Ao ler temos que levar em consideração todo o contexto histórico em que fora escrito caso contrário a assimilação ficará comprometida; a época histórica a ser levada em consideração: é o renascimento italiano, apogeu do poder da Igreja Católica, uma política muito dividida dentro da Itália e com um governante inapto com relação à política e de como governar uma realidade tão complexa e fragmentada. Porém suas teorias descritas no livro não se restringem à Itália, mas também a qualquer governo existente, mostrando assim a atualidade do livro. Basta analisar com calma.

Com Maquiavel que caem por terra inúmeros conceitos sobre política que até então não tinham sido colocados à prova, por exemplo: os da moral religiosa cristã medieval, que a todo custo buscava esconder a manutenção do poder político de seu tempo em torno das classes dominantes; desse modo Maquiavel passa a ser odiado e mal interpretado por aqueles no qual questiona, contudo sua fama cresce. 

Em suma, a política (segundo o autor) consiste em conquistar o poder e se manter nele. É nesse sentido que Maquiavel coloca a polêmica frase: Os fins justificam os meios. Mostrando a dependência entre ambos, o problema a ser levantado seria: Se o fim é justo, qualquer meio para alcança-lo também é justificável?

No entanto é muita ingenuidade imaginar que fora Maquiavel que introduziu na política as práticas amorais. Ele apenas coloca a política como espaço do poder. A política é ligada com a realidade humana e passa pelos problemas concretos dos homens, sendo assim deixa de ser algo teórico e passa a se tornar também e principalmente prático, ou seja, inserida diretamente em toda a vida do ser humano. 
Não foi a toa que as expressões: “maquiavélico”, “maquiavelismo” entre outras, transformaram-se em adjetivos de algo relacionado a coisas ruins. Ser um adepto do “maquiavelismo” era sinônimo de alguém com práticas políticas desprovidas de qualquer moral e boa fé, ser um “maquiavélico” era, portanto ser alguém astucioso, esperto, frio e calculista. Maquiavel corajosamente mostra a hipocrisia e a falta de moral existente na política de sua época. Sendo assim é a razão que determina sem sentimentalismos e sim com frieza e tranquilidade a melhor escolha a ser feita.

Na obra “O Príncipe” Maquiavel rompe conceitos de sua época dizendo que a é política independente da filosofia, afinal o contexto político tem a sua dinâmica própria e é independente nos campos morais, filosóficos ou religiosos. 

O líder político sábio age conforme seu próprio tempo e de acordo com as necessidades de cada povo se adapta em meios e métodos perante as mais adversas situações, isso dará sucesso à liderança, ou seja, manter-se sempre na mesma posição é sinal de falha do líder. Saber ser audacioso e também conhecer o momento de utilizar prudência é ter consciência plena do uso da sabedoria e do poder. Aquele que não mudar de método não tem chances de ter sucessos por muito tempo.

Assim, caímos em outra questão encontrada no livro, ora: o que seria melhor, ser amado ou ser temido? César Borgia tinha fama de ser cruel, porém sua crueldade é o que dava “unidade” ao reino que ele governava. O bom seria ser amado e ao mesmo tempo ser temido, entretanto caso precise escolher Maquiavel, responde dizendo que o líder não deve despertar o amor e embora deva ser temido; que também não desperte o ódio de seus governados porque seria um caos. 

“O Príncipe” é uma bela análise da política e moral colocando suas intrigas, problemas, avanços, erros, grandes acontecimentos históricos e questionamentos postos a prova diante de todos. Agora, pergunto: para quem você indica a leitura desse livro?

Júnior Santiago
Camocinense, Graduado em filosofia chancelado pela UFG e atualmente faz teologia na PUC Minas Gerais. Congregação São Pedro Ad Víncula