Morte de Isabelle Caracristi: o que já se sabe e o que a Polícia ainda investiga - Revista Camocim

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Morte de Isabelle Caracristi: o que já se sabe e o que a Polícia ainda investiga

 


A morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, continua sendo investigada pela Polícia Civil do Ceará. A jovem foi encontrada morta na noite de 13 de setembro, após cair do rooftop de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, onde morava com o namorado e a mãe dele.


O laudo cadavérico apontou politraumatismo provocado pelo impacto contra o solo. Exames toxicológicos não identificaram substâncias de interesse. A perícia, porém, ainda precisa esclarecer como ocorreu a queda.


As últimas horas de Isabelle


Imagens das câmeras do condomínio mostram Isabelle chegando ao prédio por volta das 17h58, acompanhada do namorado. Pouco depois, ele e a mãe saíram do condomínio.


Por volta das 19h12, Isabelle aparece sozinha no elevador, com o celular na mão, e sobe para o 23º andar, onde fica o rooftop.


A queda teria ocorrido por volta das 20h40. O namorado retornou ao condomínio somente às 22h48.


As imagens registram esses deslocamentos, mas ainda não esclarecem o que aconteceu no intervalo entre a subida de Isabelle ao rooftop e a queda.


Família aponta relacionamento abusivo


A família de Isabelle afirma que ela vivia uma relação marcada por controle e comportamento abusivo.


Segundo a mãe e o irmão da jovem, o namorado teria apresentado comportamentos de controle sobre a rotina de Isabelle. A defesa da família também afirma ter entregue à Polícia áudios e outros materiais que podem ajudar a esclarecer como era o relacionamento.


Entre os relatos apresentados está a informação de que Isabelle seria monitorada e teria restrições até mesmo para ir ao banheiro e fazer refeições.


A existência e o contexto dessas informações ainda estão sendo investigados.


O celular será periciado


Os investigadores pretendem analisar mensagens, ligações, localização e outros dados que possam ajudar a reconstruir os momentos anteriores à morte.


O aparelho pode ser uma peça importante da investigação, principalmente porque Isabelle aparece nas últimas imagens conhecidas subindo para o rooftop com o celular em mãos.


Namorado é procurado pela Polícia


O namorado da jovem, identificado como João Munhoz Neto, passou a ser procurado pela Polícia Civil.


Ele ainda não havia sido localizado nas informações mais recentes divulgadas sobre o caso.


A mãe dele foi localizada na Praia do Cumbuco, em Caucaia. Durante uma ação policial, foram apreendidos um celular e um tablet para perícia.


Até o momento, a Polícia não divulgou oficialmente que João seja autor da morte ou confirmou publicamente uma acusação de homicídio ou feminicídio contra ele.


Novas perícias no condomínio


A Perícia Forense do Ceará voltou ao condomínio no domingo, 20, para realizar novas diligências.


Foram feitas coletas de vestígios, exames periciais e registros com drone. A investigação também analisa as áreas comuns do prédio e o apartamento onde Isabelle morava.


A Polícia informou ainda que pretende ouvir oito pessoas relacionadas ao caso.


A última mensagem para a mãe


Um dos episódios que mais chamou a atenção da família aconteceu pouco antes da morte.

Segundo os familiares, Isabelle havia passado o fim de semana na casa da mãe e retornou ao condomínio no domingo.

Por volta das 19h, ela conversou com a mãe por mensagem sobre uma comida que havia deixado na air fryer. Pouco depois, enviou uma mensagem dizendo "Mãe, eu te amo".


Depois disso, não respondeu mais.


Família questiona demora na comunicação


A família também questiona a forma como foi comunicada sobre a morte.


Segundo os familiares, a mãe tentou falar com Isabelle durante a noite e só soube da morte na manhã seguinte, quando foi ao condomínio acompanhada do irmão da jovem.


A defesa da família também afirma que o corpo chegou ao IML sem documentos. A informação foi apresentada pela advogada que acompanha o caso e ainda é objeto de questionamentos.


O que a investigação precisa esclarecer


Apesar dos avanços, algumas perguntas continuam sem resposta.


A principal delas é como ocorreu a queda de Isabelle.


Também precisam ser esclarecidos os acontecimentos entre 19h12, quando ela subiu para o rooftop, e aproximadamente 20h40, horário estimado da queda.


A Polícia ainda deverá analisar o conteúdo do celular, os vestígios recolhidos no condomínio, as imagens das câmeras e os depoimentos das pessoas ligadas ao caso.


Até o momento, não existe conclusão oficial sobre homicídio, feminicídio ou suicídio.


A investigação continua aberta e busca estabelecer a dinâmica da morte e as circunstâncias que levaram Isabelle ao rooftop naquela noite.