quinta-feira, 3 de outubro de 2019

O que é uma pessoa viciada em celular e WhatsApp? Os tratamentos existentes no Ceará

O ambulatório de Psiquiatria Geral do HUWC oferece serviço gratuito para pacientes com nomofobia e outros diagnósticos clínicos pelo uso excessivo de tecnologia no Ceará. As pessoas podem procurar os postos de saúde que fazem o encaminhamento. 

“Existe a medicação que, em geral, é reservado pra casos mais graves, associados a esses outros sintomas, de depressão e ansiedade”, explica a psiquiatra Tatiana Pinho, do ambulatório de Psiquiatria Geral do Hospital Universitário Walter Cantídio. 

Em Fortaleza, os 15 Centro de Atenção Psicossocial, CAPS, recebem pacientes com transtornos psíquicos que são acompanhados de acordo com o protocolo médico das patologias identificadas.


Terapia ocupacional para casos leves  

Os casos mais leves podem ser tratados com outras abordagens como terapia ocupacional. No ambulatório, muitos pacientes participam de ambientoterapia, como explica a terapeuta ocupacional Ana Nery Feitosa.

A gente faz relaxamento, respirações técnicas, respiração diafragmática, e também fazemos orientações, como uma psicoeducação, depois desses momentos.
Outra atividade é a atenção compartilhada, que são consultas coletivas semelhantes a rodas de conversa. Os momentos são importantes porque geram “troca de experiência”, segundo Ana Nery. “A fala de um vai auxiliar no tratamento do outro. Eles se percebem enquanto grupo, enquanto pessoa que passa pela mesma situação, que não está sozinha, o sofrimento dela pode também ser de outra pessoa”, relata a terapeuta. 

Segundo a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde, a nomofobia, por ser um transtorno de impulso, pode se tornar problema de saúde mental e ser tratado na rede primária ou na rede de atenção psicossocial. 

Na rede estadual, o cenário do vício em celular também levou a Secretaria de Saúde e criar um grupo de trabalho em parceria com a Secretaria de Educação para elaborar uma cartilha de divulgação para as escolas, tratando formas de prevenir a dependência. O material deve começar a ser distribuído no próximo semestre. 

O próprio site do instituto Delete traz informações que podem ser úteis para quem quer começar o processo de Detox Digital. 

Etiqueta digital

Quem não se identifica com a dependência patológica, mas sabe que usa o celular de forma abusiva, pode começar a adotar algumas posturas, segundo Anna Lucia Spear. Sobre o assunto, o Delete publicou o livro Etiqueta Digital.  

“As pessoas têm que entender que tem que ter uma etiqueta digital também. Como você aprendeu a comer, a não comer de boca aberta, você aprendeu desde pequeno pra se comportar em sociedade, então, têm que ter uma etiqueta digital para aprender a se comportar, usando a tecnologia em sociedade, e não cometer gafes ou ser inconveniente", comenta a psicóloga da UFRJ.  

Para Spear, é preciso entender o limite entre “uso e abuso”. 

Entre as orientações, estão “respeitar a presença do outro, não usar em locais públicos inapropriados, como teatro, cinema, escola”. Ela defende o uso consciente. “Nós no Delete não somos contra as tecnologias, trazem inúmeros benefícios, mas também trazem inúmeros prejuízos, as pessoas precisam estar ligadas”. 

A terapeuta Ocupacional Ana Nery dá outras dicas. “Fazer um diário, uma rotina, organizar o meu tempo. Então, limitar o período de utilização do celular e colocar atividades que sejam prazerosas, mas que sejam produtivas pra o seu dia a dia”. 

Foi o que fez a estagiária de pedagogia Artemmisia Oliveira. Depois de perceber que o uso abusivo estava prejudicando a rotina, ela diminuiu bastante o tempo de tela. Hoje, “eu acordo, dou uma olhada no celular, mas não é mais a primeira coisa que que faço, já é um avanço”, conta. “Meus amigos reclamam que eu não respondo rápido, é porque eu prefiro não responder de qualquer forma, então, eu demoro um pouco a responder mesmo”. 

A estagiária também conta que as atividades de lazer ao celular foram redirecionadas. “Série, agora, só no fim de semana e se eu não tiver muito a fazer”, relata. 

Diário do Nordeste

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