sábado, 6 de julho de 2019

Cantor cearense tem WhatsApp clonado por golpistas; saiba como funciona e como evitar

O cantor cearense Leo Machado, da Banda Frennesy, foi vítima de um golpe ao qual qualquer usuário do aplicativo de mensagens WhatsApp está sujeito: a vítima teve a conta clonada pelos golpistas, que assumiram a identidade dele por cerca de oito horas para pedir dinheiro aos contatos.

Segundo Leo, pelo menos 40 pessoas suspeitaram da fraude e ligaram para questionar o cantor sobre as mensagens, o que facilitou a descoberta do golpe. “Anunciei em um site um carro que estou querendo vender e coloquei meu telefone para contato. Eles (golpistas) são muito rápidos: viram o número e me mandaram mensagem solicitando minha confirmação do anúncio. Com foto de perfil, tudo direitinho, como se fosse do suporte do próprio site”, descreve.


Os suspeitos, se passando por suporte virtual do site de anúncios, solicitaram ao cantor que enviasse pelo WhatsApp um código que recebeu por SMS – utilizado para clonar a conta. “Faço muita compra pela internet, e alguns sites realmente fazem acompanhamento pelo Whatsapp, usam essa ferramenta pra ajudar. Não sou fácil de cair, mas na correria, chegou esse código pra mim e eu postei. Eles passaram a ter o domínio, pegaram todos os contatos e começaram a pedir dinheiro como se fosse eu”, afirma Leo.

Ocorrências

Por ter identificado o golpe “muito rápido”, Leo registrou Boletim de Ocorrência, e com a ajuda da namorada e de amigos, conseguiu “avisar a muita gente” que as mensagens solicitando depósito de quantias em uma conta bancária não eram de autoria dele. Assim, “ninguém depositou dinheiro” e a tentativa de fraude foi frustrada.

Informar à polícia imediatamente após descobrir a invasão é uma medida fundamental para resguardar a vítima, como orienta o titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), Jaime de Paula. “Temos algumas ocorrências, isso é um golpe que vem se desenvolvendo de seis meses pra cá. Os golpistas têm conhecimento da tecnologia, invadem o aplicativo, acessam grupos e se passam pela vítima. Alguns juízes estão condenando tanto a operadora quanto o aplicativo pelos danos morais causados”, aponta.

Como funciona o golpe

Para utilizar o WhatsApp, o usuário precisa instalar o aplicativo no smartphone Android, iOS ou Windows Phone e cadastrar o número do telefone desejado. Para confirmar o cadastro, o aplicativo envia um código de confirmação para o número informado via mensagem SMS ou ligação, de acordo com a escolha do proprietário. O usuário insere esse código no aplicativo e passa a utilizá-lo normalmente. Depois disso, mesmo se o "chip" for cancelado, a conta continuará ativa, e só o suporte do WhatsApp pode resolver.

A estratégia adotada pelos golpistas, então, é essa: cadastrar o número da vítima no aplicativo e solicitar a ela mesma o código de confirmação necessário para assumir o controle da conta. Como uma conta de WhatsApp só pode ser utilizada em um aparelho por vez, ao registrar o número da vítima em um novo dispositivo, os golpistas “derrubam” o acesso dela à própria conta.

Como se proteger

Uma forma de evitar que isso aconteça é ativar o recurso de “Verificação em duas etapas”, fornecido pelo próprio aplicativo de mensagens. Ao ativá-lo, “qualquer tentativa de verificação do seu número de telefone no WhatsApp terá de ser acompanhada por um PIN de seis dígitos criado por você através deste recurso”, como esclarece o suporte do app.

Para ativar a verificação em duas etapas, abra o WhatsApp e siga o caminho: Configurações > Conta > Verificação em duas etapas > Ativar. O usuário tem a opção de inserir um endereço de e-mail, utilizado pelo aplicativo para desativar a verificação caso o PIN seja esquecido.

“Se você receber um email para desativar a verificação em duas etapas sem tê-lo solicitado, não clique neste link. Outra pessoa pode estar tentando registrar o seu número no WhatsApp”, alerta o suporte.

Diário do Nordeste

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