segunda-feira, 11 de março de 2019

O que deveria ter sido cobrança de politicas públicas acabou virando promoção politica da prefeita


Mas nem de longe a senhora prefeita de Camocim é simbolo positivo de politicas públicas! E se ela não é, naturalmente seu governo também não é. Neste caso, a função profética da Igreja deveria ter constrangido a prefeita e seu respectivo governo. E não servir de exaltação da figura pública durante a  abertura da Campanha da Fraternidade deste ano na Paróquia Senhor Bom Jesus dos Navegantes de Camocim.

Antes de continuar o texto informo: nem adianta olhar pro blogueiro aqui com olhar raivoso ou desdenho. E muito menos andar espalhando que estou "contra igreja, que sou um anti-católico, politiqueiro etc". Estou pouco me lixando! Dane-se você e esses seus comentários alienados, desprovidos de conteúdos que em nada influem na construção dos propósitos do Reino. 

Continuando. A Campanha da Fraternidade deste ano tem como o tema “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema “Serás libertado pelo direito e pela Justiça”. Pois bem: isso não são apenas  frases prontas com finalidade de utilização eventual. O lema, sobre tudo, não é ornamento de retórica. É uma grito extraído do livro do profeta Isaías. É, em síntese, já contextualizando, um grito de denúncia contra as injustiças que ocorrem em Camocim e em todo o Brasil por falta de politicas públicas e por falta de políticos descentes que as promovam. E cá entre nós: a senhora prefeita de Camocim não é uma excepcionalidade. 

A prefeita deveria, em primeira mão, ter se mancado e recusado o convite absurdo dos organizadores da celebração de abertura da Campanha da Fraternidade deste ano. Mas não, ela fez questão de adentrar a Igreja em destaque, segurando a bandeira do Município ao lado do vereador César Veras, que por sua vez segurou a bandeira do Estado ao lado do procurador do Município, este que apresentou a bandeira do Brasil.

- Fazendo alusão ao que? A corrupção? só se for, pois a figura patética que pousa no altar não lembra justiça social, não lembra a Justiça do Evangelho e não lembra os pobres que sofrem. Não lembra  o rosto sofrido de Jesus. Pelo contrário: lembra o rosto do opressor, que por exemplo, perseguiu durante anos os contratados do concurso público municipal, usando ações na Justiça contra os mesmos. Lembra o rosto ganancioso pelo poder, que não partilha com honestidade e Justiça o precatório dos professores.

Ainda pra lembrar: a chefe do Executivo Municipal enfrenta várias denuncias de corrupção. Já chegou a ser cassada pela Justiça por corrupção eleitoral. Recentemente o Ministério Público Federal a investigou e pediu que ela indenizasse o Município, por ter feito contratações ilegais de servidores  na campanha eleitoral de seu esposo o deputado Sérgio Aguiar, com finalidade eleitoreira - trocando votos por emprego.

O governo da prefeita também está sendo investigado pela transferência ilegal de recursos públicos para a conta de bandidos, através de simples mensagens de um Whatsapp, que teria sido clonado. 

A Igreja deveria, na abertura da Campanha da Fraternidade, ter desfraldado, na procissão de entrada da celebração eucarística, as bandeiras dos pais e mães de famílias desempregados por falta de politicas públicas voltadas para a geração de emprego. Deveriam ter entrado nesta procissão as dezenas de famílias que tiveram seus entes queridos mortos pela falta de uma politica pública de saúde mais humana. Deveria ter entrado as mães e os pais dos jovens mortos pelas drogas, por falta de uma forte politica pública de combate ao tráfico. Deveriam ter entrado na Igreja as centenas de pessoas que foram vitimas de assaltos, roubos, estupros e outras violências por falta de politica pública de segurança.

A Igreja deveria/deve rezar "por e com" estas pessoas. Pois a causa dos que sofrem é a razão profética da Igreja, como lembra a Constituição Pastoral Gaudium Et Spes, documento conciliar : "As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo (Igreja)".

Sim Jardel, mas a prefeita não poderia ter participado da Missa? Poderia e deveria, mas não da maneira como participou, aproveitando a ocasião para se promover. Deveria ter ficado, de preferência, no derradeiro banco, caladinha, pedindo perdão a Deus pelos seus pecados sociais e políticos. 

Ela só é vista na Igreja praticamente 3 vezes durante ano: aniversário dela, do marido dela, no aniversário do Município e, vez por outra, em alguma procissões e festejos de padroeiros. 

Carlos Jardel

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