quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Erasmo, "o mais do mesmo" da velha politica.

O vereador Erasmo Gomes, que para poder se eleger precisou do palanque do ex-prefeito Chico Vaulino e de Euvaldete Ferro, agora, embrigado com a vitória do Bolsonaro, está ensaiando romper definitivamente com o Tijuca e enveredar pelo caminho de candidatura própria de prefeito em 2020. 

Em seu perfil no Facebook ele postou que "O PSL de Camocim face os últimos acontecimentos políticos na cidade, em que situação e oposição caminharam juntos com Haddad, e não concordando, em ser gerenciado pelo PT na pessoa do Governador Camilo Santana, informa:  que o partido poderá ter candidato próprio ao Executivo municipal de 2020". 

O primeiro sinal de rompimento do vereador Erasmo foi dado quando, ainda no segundo turno, tentou, num golpe baixo e oportunista, "queimar" a imagem de Euvaldete junto aos seus eleitores que manifestaram apoio ao Bolsonaro, noticiando em rede social de seu domínio que a futura candidata de oposição poderia se filiar ao PT, partido que perdeu a disputa presidencial para o candidato do PSL.  

A justificativa deste rompimento, como não existe outro motivo mais forte, seria uma suposta  e contraditória "oposição aos ideais de Esquerda", tese que não se sustenta em momento algum pelo fatos postos na linha do tempo politico e partidário do vereador. Além do mais, a imensa maioria dos eleitores de Camocim não saberiam definir "Esquerda e Direita". Ou seja: a justificativa de Erasmo é alienígena!

Na realidade Erasmo está tentando criar uma "onda bolsonariana" em Camocim pós-eleição -  já que não deu para surfar durante a campanha em Camocim - e associar fortemente seu nome ao do presidente eleito, envaidecendo-se do pouco mais de 8 mil votos que seu candidato tirou nas urnas, imaginando ter sido fruto de sua militância. Suponho que ele alimenta a tese de titularidade destes votos, algo que  não é bem verdade. Vejamos:

Boa parte destes votos são de eleitores de Chico Vaulino e de Sérgio, a outra parte são de seus seguidores e uma outra parte é fruto da própria militância independente do Mito nas redes sociais e do antipetismo.

Já se comenta, por exemplo, em várias redes sociais: "votei no Bolsonaro não por causa do Erasmo.  E minha prefeita é a Monica". Outros dizem: "Meu voto foi do Bolsonaro e não do Erasmo. Minha prefeita é a Euvaldete, EleNão. Não votei nele pra vereador e nem pra deputado".

- Antes de prosseguir o texto, uma pausa para lembrar que nem mesmo Lula, no auge de seu primeiro governo, dois anos após sua primeira vitória, não conseguiu emplacar em Camocim a candidatura de prefeito do professor Adaílson do PT. E olhe que a vitória de Lula foi, de fato, uma verdadeira "onda de votos" em Camocim e no Brasil, a maior de todas! 

Lula mesmo sendo a maior liderança popular do Brasil nunca fez um vereador em Camocim. Naturalmente a conjuntura era outra e vários fatores influenciaram para o não êxito do PT local. Mas, convenhamos: o que esperar então de um partido inexpressivo no Ceará, Nordeste e Camocim, que sofreu um massacre nas urnas nesta eleição e que provavelmente seu governo sofrerá as mais duras criticas do povo nordestino? 

Por mais que se crie um mantra eterno de tese de ascendência e a coloque na esteira de associação do cenário nacional ao local, os aspectos, as relações e os interesses que tecem o contexto municipal são bem diferentes do nacional. Seria um estupro de realidade e uma idiotice total desconsiderar a análise e a leitura contextualizada. Por outro lado, não se pode recriminar o direito democrático de sonhar, se articular  e viver na politica. O que estamos considerando não é o direito de ser e fazer, mas  sim as possibilidades e condições de sucesso e insucesso. 

Voltemos ao texto.

No entanto, Erasmo surfa na onda da contradição e do oportunismo, carimbando em si o status de "mais do mesmo". Vejamos: 

Ele nasceu politicamente em Camocim na terceira via de 2012, candidatando-se a vereador pela primeira vez num partido de Extrema-Esquerda, o PSOL -  mesmo partido do deputado federal Jean Wyllys, Guilherme Boulus, Luciana Genro e tantos outros. Seu discurso era de forte crítica  aos dois principais grupos de Camocim, comandado por Chico Vaulino e Sérgio Aguiar. Ele não foi eleito  naquela  primeiro momento.

Dois anos depois, 2014, largou o PSOL para mergulhar de vez no oportunismo e filiou-se ao  PR, partido que comporta gregos e troianos, sem identidade definida, porém um pouco mais expressivo em Camocim e no Estado e que, na ocasião, comportava grandes nomes da nova e velha politica estadual, como Capitão Wagner, Lúcio Alcântara e a aliança com o Senador Tasso e Eunício Oliveira  - Lembrando: Erasmo apoiou a candidatura de Eunício do MDB ao governo estadual.  O senador sempre foi da aliança com o PT da Esquerda -. Nesta onda, o Militar da Marinha do Brasil se lançou candidato a deputado estadual apenas para se manter vivo no cenário local.

Ainda no PR, iniciou uma militância inteligente nas redes sociais, só que desta vez absolutamente parcial: abriu mão da sagrada imparcialidade, deixou de atacar Vaulino e passou a detonar o governo Monica e a oligarquia Aguiar, com o objetivo de atrair os olhares e a admiração dos eleitores de Vaulino e, certamente, o palanque politico do mesmo, pelo qual, há dois anos, veio a se eleger vereador.

Erasmo viu no grupo de Vaulino a oportunidade de não morrer no ostracismo no percurso de seus objetivos, sendo que para isso teve que "engolir" seu discurso critico e de auto-aclamação que o intitulava de "o diferente da politica",  para passar a ser o "mais do mesmo" e rasgando elogios a quem criticou durante oito anos. 

Finalmente visto, Erasmo se elegeu pelo PR no palanque de Chico Vaulino e comungou, sem reclamar das mesmas ideias da coligação mantida com o PT, PMDB, PSDB, PR, PSD e PSB passou a defender a união dos partidos de oposição. 

Pra se ter ideia, nesta eleição, seu candidato a deputado Estadual foi Romeu Aldigueri do PDT, que é aliado de Camilo Santana do PT - a não ser que ele tenha enganado Romeu -. Na prática, Erasmo Gomes votou indiretamente no PT, num partido de Esquerda.

Perceba que Erasmo Gomes não sentiu vergonha alguma de fazer concessões explicitas ao modelo tradicional da se fazer politica e sempre gostou de surfar no oportunismo, seguindo as tendências de momento. 

Mais uma prova disso foi o seu recente rompimento, fora de prazo eleitoral, com o PR para filiar-se ao  PSL, partido de Bolsonaro, a febre das redes sociais e do Sul e Sudeste do Brasil.  Ele viu no Mito uma possibilidade forte de chegar ao posto de prefeito, porém, para isso, precisaria, mais uma vez, "pular de barco", mudar o discurso e forjar uma suposta nova identidade politica. 

Agora, depois de ter usufruído do capital politico do grupo de Chico Vaulino e Euvaldete, Erasmo Gomes deverá igualar-se ao Ricardo Vasconcelos, Jeová Vasconcelos, Emanoel Vieira, Paiacan, Mastrolhano, Naldo da Mercearia e outros mais. 

A única diferença dele pros demais consiste apenas no fato de que ele tenta se consolidar como uma terceira liderança de Camocim, tentando passar uma imagem de diferente, de novo, quando, em nenhum momento demostrou isso. 

Mudar de partido e de grupo politico é errado? Não. O combate aqui é contra a falsificação dos motivos proveniente da desonestidade intelectual. 

E nem vou entrar no mérito do quesito da manipulação juvenil, por entender que essa, dentre as demais práticas de captação de voto e constituição de monopólio é a mais antiga e , de certa forma, a mais convencional. 

Previsão: Erasmo transformará essa publicação e outras mais em objeto de "ataques contra sua imagem" e aplicará o discurso de vitimização para aperfeiçoar sua figura messiânica.

Por fim, ressalto que por várias vezes o Revista Camocim publicou matérias exaltando o desempenho  politico do vereador no tocante a oposição que ele fez e faz ao Governo Monica e reiteramos cada ponto e virgula. Mantivemos a coerência em nosso editorial e permaneceremos da mesma forma. Já Erasmo, parece que, não.

Carlos Jardel
Atualizado às 19h05 

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