quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Em Camocim, estrutura de Sérgio pesou e ele não decolou.

Já dá pra perguntar ao deputado estadual Sérgio Aguiar, qual foi, na prática, no concreto, a serventia de seus novos apoiadores, incluindo vereadores, suplentes e os metidos a cabos eleitorais, que resolveram vestir sua casaca partidária no decorrer deste ano. Eles serviram pra que?, já que o deputado não conseguiu alcançar sua meta de votos, tirando menos que sua esposa Monica na campanha eleitoral para prefeito em 2016, que obteve 18.411 votos?! Neste pleito, o dito deputado, líder da situação camocinense, obteve apenas 17.268.

- Pausa: Ele evoluiu no cenário estadual. Mérito dele. Disso ninguém pode questionar. Este blogueiro nunca duvidou. Também nunca se iludiu com o racha temporário que ele teve com o Governo, no episódio da eleição da presidência da Assembleia. Teve decadência, mas, em tempo breve, deu-se uma recomposição ascendente, que resultou na sua expressiva votação estadual. A questão aqui é Camocim e a disputa regional.

Pois bem, voltemos: 

Só pra informar: o deputado esperava em Camocim, obter nas urnas repetir o resultado da prefeita e um pouco mais. E com este objetivo ele trabalhou na captação de novos aliados políticos: vereadores, ex-vereadores, suplentes, lideranças comunitárias e outros, já pensando em 2020.

Além de tudo isso, na estruturação complementar de captação de votos, Sérgio e sua esposa, a prefeita Monica, no mês da campanha eleitoral, investiram pesado na composição de seu exército de servidores contratados ilegalmente. Burlaram a Lei Eleitoral e a própria Constituição Federal. Tudo em prol da candidatura de reeleição do deputado, na famosa troca de votos por emprego na prefeitura.

Para se ter ideia, somente no mês de agosto o número de servidores com vínculos temporários com o Município de Camocim mais que decuplicou, passando de apenas 50 (cinquenta), no mês de julho, para o espantoso número de 515 (quinhentos e quinze), no mês de agosto, sendo que grande parte destes contratados são da Educação, pagos com recursos do FUNDEB, admitidos em qualquer seleção pública. Isso fora dos incontáveis servidores que forram contratados através de empresas terceirizadas.

Talvez esta tenha sido, vergonhosamente, a maior negociação de votos realizada pela prefeitura de Camocim em campanhas eleitorais em prol da candidatura de Sérgio Aguiar. Sem falar em outras possíveis artimanhas de uso da máquina pública.

Mesmo assim, com todo este investimento, com todos estes novos aliados, contratados temporários,  mais uma emissora de rádio local dando apoio na opinião pública e a "carona" nas obras do Governo do Estado, Sérgio não conseguiu alcançar a marca desejada de votos. Foi, como dizem, bastante conversa e pouca produção, para quem tem nas mãos o poder politico e econômico.

A estrutura montada era semelhante a de um forte exército preparado para dominar o mundo sem risco de frustração, aniquilando todos os oponentes.  E isso não aconteceu em Camocim. Chico Vaulino cumpriu suas metas de transferência de votos para seus candidatos  com uma estrutura bem inferior, comparadas com a de Sérgio,  e mostrou-se vivo e revitalizado para enfrentar o governo no próximo pleito.

E não adianta a "babacada" de plantão tentar diminuir a questão, pois segue-se o caminho lógico dos fatos apresentado nas urnas. Qualquer eleitor do grupo Aguiar mais honesto, vai perceber a forma como ficou desenhando o cenário após apuração das urnas.

Também não vale dizer que esta campanha não é para prefeito e sim para deputado. Ora, pois, Sérgio é a liderança maior. Sua campanha se concentra em Camocim e funciona com as mesmas características de uma disputa municipal e serve, como se sabe e como se trata, de termômetro da temperatura eleitoral para as eleições municipais.

Neste caso, deve-se se pensar sério: se toda essa mega estrutura favorável não foi tão exitosa, o que deu errado? Eis alguns pontos:

Os novos aliados de Sérgio não somaram votos.

Os contratados temporários, com sentimento de enganados, resolveram se vingar e enganar nas urnas.

Os eleitores que não ganharam empregos, e viram ex-adversários sendo empregados, revoltados, deram o troco.

O festival de fotografias com famílias inteiras "virando", não somou"! foi o que sempre foi e o que sempre será: ilusão de ótica.

As multidões nas ruas, sendo vistas pelas lentes fotográficas, também serviram apenas como peça de marketing e publicidade complementar de alimentação do sentimento de grupo, com pouca influência nas urnas. Mostrando apenas o que se comprovou na apuração: o cenário, em Camocim, não evoluiu pra oligarquia Aguiar.

Lembrando: as  redes sociais, apesar de serem importantes, não votam, ainda.

Previsão: a disputa pela prefeitura em 2020 não será fácil, pro Sérgio, lógico.

Carlos Jardel

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