quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Bolsonaro negou declarações do passado e usou informações imprecisas ou inverídicas em entrevista


Entrevistado no Roda Viva dessa segunda-feira, 30, Jair Bolsonaro (PSL) falou sobre planos para a Presidência e negou em vários momentos ter feito declarações e posicionamentos expressados por ele em outras entrevistas. Também aumentou consideravelmente o número de projetos apresentados em 27 anos de atividade e deu informações equivocadas sobre história.

Na bancada de entrevistadores, Daniela Lima (editora da coluna Painel, da Folha de S.Paulo), Thaís Oyama (redatora-chefe da revista Veja), Maria Cristina Fernandes (colunista do jornal Valor Econômico), Leonencio Nossa (repórter especial do jornal Estado de S.Paulo) e Bernardo Mello Franco (colunista do jornal O Globo).

"500 projetos apresentados"

Bolsonaro apresentou número errado ao afirmar que teria "uns 500 projetos apresentados" na Câmara dos Deputados. Ele é autor de 172 projetos, seja de lei ou propostas de emenda à Constituição. Desses, dois foram aprovados. Um deles sobre o benefício de isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para produtos de informática, e outro que autoriza uso da pílula do câncer.

"Quero ser vice do Aécio"

Em maio último, fez quatro anos desde que Jair Bolsonaro, em entrevista ao InfoMoney,  deu a seguinte declaração: "Se eu não for candidato, quero ser vice de Aécio Neves (PSDB). Claro, nada disso nunca entrou em pauta e nunca ninguém falou sobre isso, mas seria uma grande honra para mim".

Ele se referia às eleições de 2014, quando Dilma Russeff foi reeleita. Ele disse, no Roda Viva, que a informação teria sido criada pela Folha de S.Paulo.

"Nunca ataquei banqueiros"

Outrora crítico dos banqueiros, Bolsonaro disse, no Roda Viva, que nunca atacou a categoria. Ele foi convidado do programa Câmera Aberta, em maio de 1999, e contou que banqueiros procuravam deputados para ações que ele tratou como "acertos". 

Na ocasião, ele descreveu o esquema da seguinte forma: "Você é um péssimo empresário ou banqueiro, eu sou um deputado federal, eu chego para você e fazemos um acerto, e eu chego no governo da República e falo: eu voto tudo com você, mas o empresário ou banqueiro do Jair, você não se mete com ele".

Ao ser perguntado naquela época sobre banqueiros e parlamentares, ele disse que todos fazem parte de "uma grande panelinha". O Senado Federal criou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), em 1999, para apurar irregularidades envolvendo instituições financeiras que constituem o Sistema Financeiro Nacional.

Em outro momento, como destaca a Agência Lupa, da Folha de S.Paulo, ele criticou os banqueiros em discurso na Câmara dos Deputados, em dezembro de 2002. "Realmente, os banqueiros são muito privilegiados neste país, onde falta patriotismo", disse.

"Portugueses nem pisaram na África"

Justificando sua opinião contra a cota para negros, pobres e indígenas nas universidades, Bolsonaro disse que há uma política de dividir brancos e negros no Brasil. 

Questinado sobre a dívida histórica do País com os negros, ele disse: "Que dívida? Eu nunca escravizei ninguém. Se for ver a história realmente, os portugueses nem pisaram na África. Os próprios negros entregavam os escravos. Que dívida é essa?".

Os portugueses chegaram à África entre os séculos XV e XVI para negociar mercadorias para a Europa e para as Américas. A principal negociação era do próprio povo negro, vendido como escravos. Não demorou para os portugueses colonizarem outras áreas do continente africano.

Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial foram alguns dos territórios explorados de forma mais intensiva. Os seis atualmente falam a língua portuguesa. Alguns desses países foram colônias de Portugal até 1974/1975. Até hoje, a Ilha da Madeira é território de Portugal.

O POVO

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