terça-feira, 3 de abril de 2018

Dois adolescentes são mortos em unidade socioeducativa de Sobral

Dois adolescentes sob tutela do Estado no Centro Socioeducativo Dr. Zequinha Parente, em Sobral, a 250 km de Fortaleza, foram mortos por outros internos. Conforme O POVO Online apurou, o primeiro caso ocorreu no último sábado, 31. O segundo foi registrado nesta segunda-feira, 2. A Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo (Seas) não informou as datas. Em nota, comunicou apenas que as duas pessoas faleceram no fim de semana. 

De acordo com o órgão, uma equipe se deslocou para o local para realizar todos os procedimentos e prestar suporte às famílias das vítimas. A nota informa ainda que sindicância foi instaurada pela Corregedoria da Seas para reavaliar os procedimentos de segurança do centro socioeducativo. 

“Em paralelo, a Polícia Civil do Estado do Ceará iniciou os trabalhos de investigação. Todos os procedimentos de responsabilização para os adolescentes envolvidos já estão sendo encaminhados junto à delegacia da região”, comunicou a Seas. Apurações iniciais indicam que não havia relatos de ameaças ou risco pessoal em relação aos adolescentes, garantiu a administração do sistema socioeducativo. 

Negligência

Contudo, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (Cedeca) rebate o posicionamento do Estado. Para a entidade, houve negligência por parte da Seas no segundo caso, já que gestores do órgão estavam no interior da unidade durante a morte.

Por meio da assessoria de imprensa, o Cedeca informou que irá notificar a Seas, o Ministério Público do Ceará, a Procuradoria Geral da Justiça e a Defensoria Pública do Estado em busca de investigações e reforço na segurança dos locais.

“Estamos também encaminhando informes do episódio à Organização das Nações Unidas (ONU), à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e aos conselhos de direitos humanos, da criança e adolescente e de prevenção e combate à tortura”, informou a instituição.

É o segundo caso de assassinatos de jovens sob custódia do Estado em menos de cinco meses. Em novembro do ano passado, quatro adolescentes que cumpriam medidas socioeducativas no Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, na Sapiranga, foram retirados do local e executados na vizinhança. 

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