sábado, 17 de março de 2018

Intervenção completou primeiro mês com aumento da violência no Rio


A violência explodiu no primeiro mês da intervenção federal  na Segurança Pública do estado do Rio de Janeiro, segundo levantamento da plataforma Fogo Cruzado, desenvolvida como uma ferramenta de mapeamento coletivo de tiroteios e disparos de armas de fogo no Rio de Janeiro. Relatório divulgado na última quinta-feira(15) constatou um aumento nos homicídios a tiros desde que o governo do presidente golpista Michel Temer (MDB) decretou a intervenção. Com resultados pífios e desastrosos, Temer adiou a viagem que faria ao Rio neste sábado para realizar o balanço da intervenção.

Os dados, uma compilação de levantamentos de usuários da plataforma, da imprensa e dos canais oficiais da Polícia Militar, mostra que foram 149 assassinatos em tiroteios no último mês, contra 126 entre 15 de janeiro e 16 de fevereiro deste ano. Os tiroteios com a presença de um agente de segurança representam 133 do número total deste mês. Entre janeiro e fevereiro, o número foi 106.

Para Paula Napolião, analista de dados do Fogo Cruzado, ainda é cedo para tirar conclusões sobre o aumento da violência armada, no entanto, ela destaca os casos de violações de direitos dos moradores de favelas como consequência da intervenção.

“A gente vai ter que aguardar um pouco mais para conseguir falar algo de concreto sobre a consequência da intervenção para a violência armada, mas o que a gente vê de cara são os casos, como o na Vila Kennedy, em que a população tem o direito de ir e vir, de circular, afetado, por conta dessa operações militarizadas e não preparadas para lidar com a sociedade civil. O que precisamos fazer como sociedade civil é acompanhar essas situações de perto para que não haja nenhuma violação dos direitos dos moradores nessas áreas”, afirmou.

Segundo Filipe dos Anjos, da Federação de Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj) a atuação da Polícia Militar como um braço armado do Estado para realizar extermínios sempre aconteceu nas favelas. Ele acredita, porém, que a intervenção federal traz mais impunidade a essa realidade.

“Acari, por exemplo, está sendo alvo de muitas operações que o próprio batalhão da área não reconhece, operações ilegais, e os moradores questionam essa mudança da intervenção federal para a polícia, porque não vêem muita mudança. Mas a gente vê sim mudança, porque é uma intervenção que vem e passou pelo crivo do Senado e da Câmara, direcionada às favelas, depois de não cumprir uma agenda de reforma da Previdência, de um governo que tem a pior aprovação da história do Brasil. Tudo isso está ligado, e a gente está muito preocupado”, apontou.

A intervenção, baseada somente em ações de caráter repressivo e sem um planejamento adequado, que transformam o Exército Nacional numa força de ocupação policial em territórios densamente povoados e sem um alvo específico, tem recebido críticas de entidades de defensores dos direitos humanos.

Especialistas têm alertado também para os riscos institucionais do envolvimento do Exército em operações policiais dessa natureza, alguns apontaram até para o exemplo do México, onde o Exército daquele país foi transformado em força policial de natureza interna, o que se  convencionou chamar de “mexicanização” da política de segurança.

*C0m informações de Brasil de Fato e Plataforma Fogo Cruzado

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