quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Quatro policiais civis são afastados suspeitos de extorsão

Quatro policiais civis suspeitos de extorsão mediante sequestro foram afastados ontem de suas funções. Eles são acusados de praticar o crime contra o traficante condenado Felipe Pereira Silva. Além do afastamento, a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) cumpriu mandados de busca e apreensão. A operação conjunta envolveu o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), e foi realizada ontem.

Conforme o Ministério Público, a investigação teve início durante a operação Vera Pax, em 2016, que apurava união de facções criminosas. No entanto, enquanto investigavam, foi descoberta suposta extorsão por parte dos policiais civis José Rodrigues Alves Neto (conhecido como Miagui), Marcelo Vieira Lima de Aguiar, Antônio Flaviano de Araújo e Paulo Sérgio Vieira Noronha.

Segundo o MPCE, o traficante Felipe foi abordado na Via Expressa e permaneceu sob posse dos policiais por várias horas, sendo levado à delegacia sem ordem judicial ou flagrante de crime. Conforme o órgão, ele foi liberado após pagamento de resgate aos policiais.

A denúncia do Ministério Público foi aceita pela 3ª Vara Criminal de Fortaleza. As armas e os distintivos dos policiais foram tomados e as casas deles vasculhadas por profissionais da CGD. “Segundo a apuração do Gaeco, os policiais abordavam à paisana e em carros descaracterizados”, divulgou, em nota, o Ministério Público.

Durante a apuração, acrescentou o MPCE, foi constatado que a situação não era do conhecimento dos delegados de Polícia lotados no 30º Distrito Policial, no Conjunto São Cristóvão, para onde os traficantes foram levados e de onde foram liberados. Em 2016, esses policiais civis foram transferidos do 30º.

Sindicato

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Francisco Lucas, indaga por qual motivo a prisão dos policiais foi negada pelo juiz se foi constatado que eles estavam cometendo ilegalidade. Ele também critica a falta de postura do delegado de Polícia na situação. “Policial civil trabalha à paisana e em carro caracterizado. E, na ação, os traficantes foram levados à delegacia. Lá a responsabilidade é do delegado. Se era algo tão absurdo, por que o juiz negou a medida preventiva? Creio que há uma pirotecnia por parte do Ministério Público”, defende.

Francisco Lucas critica ainda a postura do órgão por divulgar o nome dos policiais sem mandado de prisão. Ele diz que, em outros casos, o Ministério Público não divulga nomes de suspeitos. “Tem que separar o joio do trigo, mas não se pode aceitar essa pirotecnia que o MP faz para mostrar que está fazendo alguma coisa. Mas, se aconteceu, eles devem ser presos e expulsos”, ressalta.

Operação

Vera Pax

A operação Vera Pax foi deflagrada no dia 20 de abril do ano passado. Os suspeitos Felipe Pereira Silva, Daniel Júnior dos Santos da Silva, Algirlânia dos Santos Nogueira, Wanderson de Abreu Rocha, Inácia Gabrielle Martins Soares, Carmélia dos Santos Silva, Carlos dos Santos Silva, Tiago André da Lima Costa, Wellington Menezes e Charliene Silva dos Santos tiveram a prisão preventiva decretada.

Resgate

Um dos alvos da operação Vera Pax foi o traficante Daniel Júnior dos Santos Batista, o Júnior Play, que responde na Justiça por três crimes de homicídio e dois de roubo. Play estava preso em Pacatuba, mas, em janeiro deste ano, a Polícia descobriu um esquema de resgate programado para o dia 27 daquele mês.

Enquanto Daniel era encaminhado ao fórum Clóvis Beviláqua, em um ônibus da Secretaria da Justiça (Sejus), um grupo armado planejava a entrega do armamento que seria usado no resgate dele. Pelo menos três pessoas foram detidas na ação e 12 armas foram apreendidas. Na ocasião, foram divulgadas conversas de WhatsApp que mostravam que o detento estava planejando o próprio resgate. Ele foi encaminhado a uma unidade federal.

Números

15

anos de prisão a pena máxima caso os policiais sejam condenados

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