quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Homenagens marcam um ano da tragédia com avião da Chapecoense

Ao entardecer, um buquê de flores brancas ocupava ontem o gramado da Arena Condá, casa da Chapecoense, cuja torcida honrou seu heróis mortos, um ano depois da tragédia aérea.

O clube decidiu não organizar nenhum ato, argumentando “respeito aos que ficaram e pelas boas lembranças”, mas abriu o estádio aos visitantes. Nas arquibancadas, uma bandeira da Colômbia, onde no fim da noite do dia 28 de novembro de 2016 o voo 2933 da companhia aérea LaMia desapareceu quando estava prestes a pousar no aeroporto internacional de Medellín. No acidente, 71 pessoas perderam a vida, entre elas 19 jogadores, 14 membros da comissão técnica e nove dirigentes do clube catarinense, além de 20 jornalistas, sete tripulantes e dois acompanhantes da delegação. Seis pessoas sobreviveram. O time voava para disputar a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional.

Na Colômbia, mais homenagens. Sobre a praça central de La Unión — município onde ocorreu o acidente —, dois helicópteros da Força Aérea colombiana faziam cair pétalas do céu. “A glória estava próxima. A tragédia apagou esse sonho”, afirmou no tributo de ontem Andrés Botero, presidente do Nacional. Uma missa foi realizada no monte que agora leva o nome da Chapecoense. Um altar foi levantado no local onde restou a fuselagem.

O principal ato na Colômbia, contudo, foi a montagem de uma cápsula do tempo. Em um cilindro de ferro, foi colocada uma camisa do Atlético Nacional e mensagens. O objeto viaja a Chapecó-SC e a ideia é que integrantes do time brasileiro o abram daqui a 40 anos.

Ainda sem conclusões, as investigações sobre a tragédia revelaram que o avião viajava com pouco combustível e sobrepeso. O falecido piloto Miguel Quiroga foi responsabilizado e funcionários da companhia aérea e do Estado estão presos na Bolívia. As famílias das vítimas rejeitaram acordo com representantes da LaMia e muitas cobram a Chapecoense na Justiça.

Dos três jogadores que sobreviveram, apenas o lateral Alan Ruschel voltou a jogar com o time, após recuperação quase milagrosa. Enquanto o goleiro Jackson Follmann perdeu a perna direita, o zagueiro Neto, último dos sobreviventes a ser resgatado, segue em recuperação e deve voltar a jogar em 2018. O jornalista Rafael Henzel, recuperado, voltou a narrar e escreveu um livro. Os outros dois que se salvaram, a comissária Ximena Suárez e o mecânico Erwin Tumiri, retomam suas vidas na Bolívia. A primeira atua hoje como modelo e dá palestras motivacionais. 

O POVO

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