segunda-feira, 19 de junho de 2017

TEMER, PRESSIONADO, LANÇA OFENSIVA CONTRA JOESLEY BATISTA

As declarações do empresário Joesley Batista, publicadas no último sábado, 17, resultaram em uma verdadeira ofensiva do presidente Michel Temer (PMDB) contra o ex-confidente em pelo menos três frentes. Um dos sócios da J&F, que controla a JBS, reafirmou em entrevista à revista Época as revelações que fez à  Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF).

O empresário acusa o peemedebista de chefiar uma organização criminosa na Câmara dos Deputados e de pedir propina para financiar campanhas eleitorais. "O Temer é o chefe da Orcrim (Organização criminosa) da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa", revelou na publicação.

Na tarde do sábado, a presidência da República divulgou uma nota dura contra o empresário. O texto, além de prometer ajuizar hoje ações civil e penal contra Batista, insinua que o delator protege petistas nas acusações que faz.

"Os reais parceiros de sua trajetória de pilhagens, os verdadeiros contatos de seu submundo, as conversas realmente comprometedoras com os sicários que o acompanhavam, os grandes tentáculos da organização criminosa que ele ajudou a forjar, ficam em segundo plano, estrategicamente protegidos", diz a nota.

Além da disputa jurídica, nos bastidores o movimento é para tentar prejudicar a atividade das empresas coordenadas pelo grupo J&F, dos irmãos Batista. O objetivo é dizimar o grupo em todas as frentes: na Receita Federal, na Comissão de Valores Mobiliários, no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e na Justiça.

Supremo

Há expectativa do governo, e trabalho de bastidores, sobre possível questionamento do formato da delação premiada acordado com o empresário no Supremo Tribunal Federal (STF) por demais ministros.

Alguns membros da Corte questionam o perdão judicial concedido ao delator pelo relator da matéria no Supremo, o ministro Edson Fachin.

A Polícia Federal deve concluir hoje inquérito da denúncia contra o presidente Temer. O procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, deverá apresentar a denúncia ainda nessa semana.

Para que seja analisada pelo Tribunal, a Câmara dos Deputados tem que autorizar. Para ser aceita a denúncia, pelo menos 342 deputados precisam apoiar a investigação.

Seguro de que possui ao menos 172 votos para barrar a abertura da denúncia pelo STF, Temer tenta dar ar de normalidade. Em vídeo nas redes sociais ontem, o presidente falou sobre a viagem que fará à Rússia e à Noruega ainda hoje para tratar de assuntos econômicos.

O POVO

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