terça-feira, 20 de junho de 2017

O SUICÍDIO DIALOGADO: O OUTRO LADO DO13 REASONS WHY

Camocim teve noticiada cerca de 12 mortes em 2016 por suicídio, e neste ano já aconteceram outros casos. 



A nossa sociedade recebe informações rápidas, e num clique viralizamos muitas vezes sem pesquisar, sem analisar, sem provar que as informações ou opiniões tecidas por terceiros são verdadeiras.A exemplo de um colega de profissão e de trabalho utilizei alguns dias livres para assistir a tão polemica série original da queridinha do Brasil a NETFLIX: 13 Reasons Why.

Não pretendo aqui fazer uma resenha sobre a série, mas sim externar a minha percepção, ou seja, o meu olhar sobre a forma que a série aborda o tema do suicídio, portanto, é pessoal demais e apenas quero compartilhar já que resolvi escrever. 

Quando iniciei o primeiro capítulo do seriado, fui cheia de preconceitos típicos de quem desconhece aquilo que renega, mas fui profundamente tocada do início ao fim da temporada. Hannah, era uma típica adolescente, numa típica escola, sujeita as mesmas situações da vida real que foram dramatizadas na série. Quando decidi assistir eu achava que se tratava de uma série que incentivava o suicídio e que era apelativo (isso explica a minha introdução)... mas 13 reasons traz na ficção aquilo que as famílias não conseguem verbalizar, ninguém consegue falar sobre, ninguém quer dizer o motivo, e muitas vezes a vítima, sim, vítima, pois quem passa pela situação de um suicídio ou tentativa estava precisando de ajuda, e teve que ser o seu próprio algoz assim como foi sua própria libertação. Penso que todos os profissionais que lidam com vidas deveriam sim assistir essa série, pois ela é um tapa na cara dos nossos achismos ( ''Suicídio não é brincadeira, não julgue, não culpe, não ofenda...'' (RADIS 2017) ).Somos tão insensíveis que não conseguimos entender porquê alguém faria algo assim, ou achamos que a pessoa não valoriza ao que tem, mas nunca perguntamos o que ela está sentindo, aonde está doendo, e o que podemos fazer para ajudá-la  a superar isso. Eu mesma já agi assim... já questionei pessoas próximas a mim que falavam sobre suicídio, sem nunca tentar entender a história de vida delas, ou sua verdade... Esse seriado abriu o meu coração, me deixou vidrada na expectativa de assistir o outro episódio... e eu pude analisar como somos cruéis, como ignoramos o nosso próximo, ou como o desprezamos para nos sentirmos melhores... Nada somos! Logo pensei: Quantos gênios morreram por causa de gente babaca? Quantas meninas lindas se sentiram feias por causa de garotas bobas que pensam que o centro do mundo é o seu umbigo? Que cultura é essa de ódio e desrespeito que temos cultivado nas relações escolares e profissionais? Tanta gente de licença médica por causa de assédios, perseguições no trabalho, gente que quer apenas dá o seu melhor e é tolhida dia após dia, é estigmatizada no ambiente laboral que deveria ser adulto e maduro... a escola e o trabalho não serão um ambiente seguro e harmonioso  enquanto não abordarmos essas questões explicitamente!

Hannah, conta os motivos de seu suicídio... ela conta! Mas quanto aos que se foram e nós nunca saberemos o porquê, pois nunca nos preocupamos, nunca perguntamos, nem sequer desconfiamos que havia algo estranho? Ao longo da série fui percebendo como é devastador para todos em volta, como a família não consegue prosseguir sem entender... como afeta aos que tiveram a chance de dizer algo pra garota e quando disseram a enterraram viva. Nada na série foi exagerado demais para a realidade, apenas nós não conhecemos os motivos de pessoas suicidas e quando se expõe isso de uma forma próxima da realidade nossa insensibilidade torna-se crítica e descarta a intenção da série que é alertar que isso é real e acontece todos os dias!

O suicídio tem que ser abordado sim! Tem que ser motivo de Encontros, Seminários, Palestras, Grupos de discussão e afins, pois segundo a OMS a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo, apenas 28 países tem planos estratégicos de prevenção ao suicídio que é considerado uma questão de saúde pública. O Brasil ocupa a 11ª posição registrando uma morte a cada 45 minutos o que quer dizer que 25 brasileiros se suicidam por dia! (RADIS Comunicação e Saude, 2017) Camocim-Ce, teve noticiada cerca de 12 mortes em 2016 por suicídio, e neste ano já aconteceram outros casos. É necessário noticiar sim, não aquela notícia sensacionalista, mas aquele tipo de informação que diga para as pessoas que isso está ocorrendo perto de nós. Precisamos conversar dialogar com diversos segmentos, começando pelas escolas já que a faixa etária predominante de morte no Brasil por suicídio é dos 15 aos 29 anos.

Que a sociedade se responsabilize, que o governo se responsabilize, perguntem-se: O que estamos fazendo? Que diferença estamos imprimindo no mundo? Estamos nos importando com a pessoa ao lado? O que será que ela está passando? O que justifica seu comportamento?

A lição que recebi através desta série e dos dados alarmantes é que sempre haverá alguém mais vulnerável, que o suicida mora ao lado, e ele avisa, ele da sinais, ele pede ajuda nem que seja numa fala desconexa de uma piada  fúnebre e sem graça. Quem diz que vai se matar está pensando nisso sim, pois o natural do ser humano é preservar a sua própria vida. Então não ignore as palavras, não ignore os sumiços, não ignore as mudanças, as despedidas sem razão... nunca subestime a determinação de uma alma enferma que busca a cura para a dor, a libertação, a solução, a paz... nunca deixe que pessoas passem por você sem serem percebidas, sem ouvirem uma palavra de vida e esperança, pregue o amor, pregue a paz, mas também imprima em ações aquilo que tem pregado é importante que suas palavras sejam condizentes com suas ações senão não serão valorizadas por quem escutar. Um dia alguém partiu da minha vida assim, e eu estava muito longe e ocupada comigo mesma para dizer um oi, ou enviar uma mensagem para esse alguém, espero que tenha sido uma lição para o resto da minha vida.

E você que está lendo este escrito se já pensou em tirar a própria vida, procure ajuda, converse com alguém, escolha bem suas amizades, cuide de si mesmo, pratique algum esporte, se preciso mude de ambiente e de amizades. Saiba que pra toda escuridão existe um novo dia. Embora a dor seja maior do que a sua força de viver, você merece a chance de tentar salvar a si mesmo. Conte comigo e conte com tantos outros que estão espalhados mundo a fora.


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