terça-feira, 18 de abril de 2017

CAMOCIM E A FEBRE DE ONGs E GRUPOS DOADORES DE ESMOLAS


Camocim está se empestando de ONGs e associações politicas proselitistas, que estão se encarregando de dar acabamento ao retrocesso da dimensão politica do desenvolvimento social e cidadania, ressuscitando com força total a vertente coronelista que caracteriza a boa e velha politicagem, tão bem disfarçada de boa ação em pleno século vinte e um.

E viva as cestas básicas, as modernas câmeras digitais e a tentativa desvelada de constranger o Estado inoperante.

Sim, por que quando a prefeitura entrega cestas básicas está promovendo politicamente o gestor, mas quando é uma ONG - que também é instituição politica - Não. O nome que se dá é caridade e cidadania...! Quanta cara de pau, meu Jesus! Volto: ou é cara de pau ou pura falta de conhecimento sobre o que conceitua desenvolvimento social e cidadania. Em outros casos é mediocridade mesmo.  

Eis a celebre frase que atesta a politicagem coronelista: "se a prefeitura (Estado) não faz, a gente faz".

E faz pra que? Pra socorrer os desvalidos e ganhar ponto "politiqueiro", pois esmola institucional, em pais nenhum, já mais superou a pobreza. Pelo contrário: sempre serviu para promover políticos e instituições! Por que a esmola feita por organizações sempre foi, e sempre será, algo extremamente paliativo!

O que deve superar a pobreza é a politica pública desenvolvida plena e honestamente! 

Mas há quem não goste de pensar que estas práticas caritativas e redentoras, adotas institucionalmente, já foram superadas na ideia, que já sofreram a devida critica ao longo da história. Inclusive, ainda é costumeiro se ouvir membros de ONGs criticando o coronelismo...Que bacana! 

Ora, a prática do profissional  Assistente Social, formado academicamente, passou da ideia primária das Damas da Caridade de São Vicente de Paula. Se reconceituou documentalmente. Até mesmo a Sociedade São Vicente de Paulo modernizou sua "regra vicentina". A badalada "Ação Social" evoluiu passando dos "centros sociais urbanos"- antigos CSU -  para Secretaria do Desenvolvimento Social e Cidadania. Esta dimensão virou politica pública, criou-se a Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS. E até as igrejas mais sérias alimentam um conceito moderno, condizente com os tempos, sobre a "caridade" e a prática de combate a pobreza, o que é bem diferente daquilo que tem pipocado recentemente em Camocim: a manutenção da pobreza!

O papel institucional, tanto das instituições de governo, como das não governamentais, é trabalhar para que as demandas sociais sejam resolvidas pela máquina pública. E não promover a falsa caridade social, com pequenos aperitivos piedosos, para os aplausos da modernidade online das redes sociais. Quando as instituições agem assim, estão acomodando o Estado, involuindo a cidadania, apequenando as instituições.

E isso não diminui a importância desta dimensão da caridade (cesta básica) feita por um ou outro cidadão comum. Esta prática é própria destes solidários de boa fé. A questão não é esta. O problema está, repito: na prática institucional adotada por ONGs e associações politicas que fingem não serem politicas - e nem adianta dizer o contrário - pelo menos, a mim, não enganam. 

As instituições, em tese, devem surgir no cenário social, intervindo justamente para elevar o desenvolvimento da cidadania e da politica, com ações mais substanciais, para garantir a execução do direito pleno de moradia, da alimentação, da geração de trabalho e renda, de educação, saúde, infraestrutura etc. E não para dar "esmolas promocionais e promotoras".

Rá rá rá! Agora, é mais fácil os donos da carapuça, obviamente, se sentirem ofendidos, magoados e criticar com o intuito de diminuir o critico, utilizando velhos bordões e as máximas dos intelectuais de outrora, do que simplesmente analisar a critica e discuti-la de forma inteligente. 

E antes que a "babaquice" tome de conta dos comentários contra este blogueiro, informo que já fomos militante assíduo pela causa das cestas básicas junto a outras pessoas, por muitos anos - quem, de fato, nos conhece sabe bem disso - já fomos do time daqueles que arrecadavam, de porta em porta, alimentos para ajudar semanalmente os desvalidos da cidade, preparando e distribuindo diariamente "sopão da caridade" na praça do Mercado Público para os que viviam nas ruas, participamos de mutirões para reformar e construir casa de empobrecidos, dentre outras ações mais piedosas. E também conhecemos  a história dos que nos antecederam na prática e dos que nos sucederam nela. Ou seja: esta movimentação "caridosa em Camocim não é novidade! Não é estreia! Não é projeto pioneiro!. E posso afirmar com todas as letras NUNCA SERVIU PARA ERRADICAR A POBREZA! São práticas que fazem apenas a manutenção da pobreza e que, de tempos em tempos, ressurgem evocando os séculos passados, sem a abordagem necessária  que a sociedade precisa para evoluir.

Honestamente, querer anular ou diminuir a critica com as máximas épicas dos intelectuais dos que nos precederam, funciona apenas com os fracos de argumentos, que não tem a capacidade de, pelo menos, procurar entender os motivos e o tempo nos quais elas foram pronunciadas. Boa parte destes sábios, faziam leituras de suas conjunturas e eram leituras bem mais criticas! 

E essa critica, contra a estrategia batida, vale pro lado A, lado B e lado C.

Diante desta pobreza arcaica, pergunto: qual é a moral que membros destas ONGs tem para criticar o  coronelismo, ou até mesmo o  PBF? Nenhuma! E como acabar com o vicio dos pobres que  pedem esmolas aos políticos? Nunca!

Mas, se querem ouvir elogios e massagear o ego - pois é só pra isso que esta prática tem servido ultimamente -  continuem assim, vocês estão indo muito bem! (ironia, lógico)

Carlos Jardel 

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