sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

PAPELÃO CLUBE ( CAMOCIM CLUBE)

"Eu não sabia que debaixo daquele papelão de volume tão baixinho, ali se encontrava um Ser humano a se proteger da frieza da noite"



Papelão clube

Era alta madrugada e eu estava há 20 metros da balaustrada ou cais do Porto, rio Coreaú em Camocim, mas precisamente na calçada da lanchonete Honda do Mar, esperando alguém, enquanto observava no lado oposto da rua José de Alencar, a arquitetura do prédio do Camocim Clube, local onde acontecia as festas da elite camocinense no passado. De repente, ao descer a vista até o recanto onde era a porta de entrada do clube, hoje tapada com tijolos ainda sem reboco, avistei aquele papelão sobre o mosaico e fiquei ali durante muito tempo imaginando como seria aquele espaço na época em que era festejado pelos frequentadores do clube. Nisso passei bastante tempo e só depois de um minucioso olhar pude perceber algo que me chamou atenção. Vi que o papelão se movia. De início tomei um susto! Logo percebi que a coisa não era tão assustadora assim. Eu não sabia que debaixo daquele papelão de volume tão baixinho, ali se encontrava um Ser humano a se proteger da frieza da noite, tendo como leito o chão duro e como lençol o papelão. Curioso, registrei e fui para casa pensando. Voltei ao local outras noites e observei a mesma cena. Não sei de quem se trata, não sei que hora chega, nem sei que hora sai. Não sei quem é o ente de vida comum outros viventes, que infelizmente fartam as estatísticas do mundo urbano. Mas concluí que ali foi o espaço escolhido por aquele rapaz para lhe servir de aposento na calada da noite, nem tão calada assim, pois ali pertinho tem o burburinho das pizzarias da Beira-Mar, agitadas até altas horas. E o Camocim Clube por ser generoso, não caiu da moda de todo. Está de corpo fechado, mas de coração aberto oferecendo a calçada dos lados: Leste e Norte aos mais abastados enquanto tomam cerveja, comem pizza e dão renda aos comerciantes. Contudo, ainda reserva aquele recantinho do lado Poente, para quando algum coitado despossuído precisar, seja ou não mendigo, possa ali se abrigar na solidão das noites frias.

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