quinta-feira, 10 de novembro de 2016

SOBRE A ONDA DE ASSALTOS EM CAMOCIM

Os assaltantes parecem que perderam totalmente o medo da PM em Camocim, já que os rigores da lei nunca lhes foram suficiente para intimidá-los. Para se ter ideia de como anda o ritmo de impunidade, já tem assaltante que após o crime, passado a hora do flagrante, vai com a cara mais "lambida" do mundo, e com uma ficha mais suja do que pau de galinheiro, se apresentar na Delegacia de Policia Civil , sem advogado,  prestar depoimento e em seguida voltar para as ruas como se nada o pudesse atingir. Ou seja, os bandidos já tem plena compreensão de como funciona as leis, que neste sentido são extremamente falhas e acabam colaborando com a instabilidade social e com a criminalidade. Eles, marginais, perderam o resto do medo que tinham do sistema judiciário,  penitenciário e da PM, já que respeito a elas nunca existiu.

O fato é que nestes últimos dias nunca se registrou tanto assalto em Camocim, em pleno coração da cidade.

A pergunta é: o que fazer, além de rezar?

A resposta imediatista seria aumentar o efetivo militar e intensificar as rondas na cidade.  Isso, de certa forma, iria deixar os marginais afastados temporariamente e devolver aos cidadãos a sensação de segurança.

Bom, mas, e depois que passe os efeitos destas medidas?

A resposta definitiva não deve ser pensado no curto prazo. Trata-se de um processo demorado, que requer discussão, análises e empenho constante, não épico. Trata-se de ter a coragem de se construir uma nova lógica social.

Não estamos aqui querendo espetacularizar a criminalidade,  apresentar as soluções num produto acabado,  e nem fazer negativas dos sistemas que compõe a politica de segurança pública do Estado.
Por que entendemos que, ao contrário do que muitos pensam, a segurança pública não se resume a estes mecanismos precários - aliás, isto é uma imagem que precisa ser combatida, pois tende a retirar a responsabilidade das demais instituições, inclusive da família -. A questão é que, em tempo algum, a sociedade, e muito menos o estado brasileiro, conseguiu emplacar efetivamente uma decente e saudável politica de segurança pública, capaz de resolver a problemática.  A lógica sempre foi punitiva! E a história tem mostrado que esta ideia não tem atendido as necessidades.

As audiências públicas, das quais já participamos,  sobre esta temática, nunca tocaram realmente na ferida. As vezes mais parece uma reunião de compadres, comadres e afilhados.

É preciso se falar em construção da segurança pública superando o discurso de aplicação de medidas paliativas, como a mera construção de penitenciárias, mais policiais, leis mais rigorosas, redução da maioridade penal e até mesmo o discurso de incitação à vingança que diz  " bandido bom é bandido morto". Estas temáticas abordadas superficialmente pela sociedade de nada servirá se não houver, funcionando como se deve,  o sistema de  saúde, de educação, desenvolvimento social,  infraestrutura, moradia digna, uma politica econômica mais humana. A criminalidade não reduzirá se a dignidade das pessoas não for pensada a partir de uma politica de geração de emprego e renda, de esporte e lazer para crianças e juventudes.

A politica de segurança pública também deve ser pensada a partir do combate a corrupção dos políticos. 

Enquanto estes assuntos não forem tratados como se deve,  com o devido comprometimento que exige de toda a sociedade, dificilmente os índices de criminalidade venham a sofrer redução. Pelo contrário, a tendência é aumentar. 

Carlos Jardel 

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