terça-feira, 27 de setembro de 2016

PMS CONDENADOS POR MASSACRE DO CARANDIRU PODEM TER JULGAMENTOS ANULADOS

Os 74 policiais militares (PMs) que foram condenados pelo massacre do Carandiru podem ter seus julgamentos anulados. Conforme a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, os julgamentos serão analisados novamente nesta terça-feira, 27, pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal do Júri de São Paulo com a possibilidade de anulação. Nenhum policial foi preso até agora. Segundo Bergamo, alguns ocupam cargos públicos.

O resultado de todos os julgamentos, em cinco tribunais de júri, foi a condenação a penas de reclusão que variam de 48 anos a 624 anos. Os advogados dos acusados apelaram. Eles argumentaram que as decisões dos jurados eram contrárias às provas apresentadas. A última condenação ocorreu em 2014.

Ainda conforme a colunista, se os desembargadores do caso concordarem com os argumentos dos advogados, todos julgamentos deverão ser feitos novamente. Mas um novo resultado pode levar décadas já que os processos, abertos em 1992, tramitaram por mais de 20 anos. 111 presos foram assassinados no massacre que completa 24 anos no próximo dia 2. 

O caso ocorreu no pavilhão 9 da Casa de Detenção Carandiru. O estopim para a invasão da Polícia Militar no prédio foi uma briga entre facções de presidiários, que resultou em rebelião. Além dos 111 mortos, 100 ficaram feridos. Foram encontrados corpos algemados e com as mãos sobre a cabeça, em sinal de rendição.

A tragédia no presídio inspirou livros como Estação Carandiru (1999) e Carcereiros (2012), ambos do médico e escritor Drauzio Varella. Em 2003, a primeira obra foi adaptada para o cinema. Filmado na própria Casa de Detenção pouco antes de ela ser implodida, Carandiru, de Hector Babenco conta com nomes como Rodrigo Santoro, Caio Blat, Lázaro Ramos e Wagner Moura no elenco.

Além de livros e filmes, em 1997 os Racionais MC's lançaram o álbum Sobrevivendo no Inferno. Com mais de 1 milhão de cópias vendidas, o disco traz a faixa "Diário de um detento". A música foi co-escrita por um ex-detento do Carandiru, Josemir Prado, o Jocenir.

O Povo

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