quinta-feira, 28 de julho de 2016

SAUDADE SAUDÁVEL

Sempre que tenho um intervalo de férias, venho a minha querida cidade de Camocim. Revejo meus pais, família, amigos de infância, conhecidos de circunstância. Visito quem gosto; relembramos histórias, situações, piadas; alguns que surgem à medida em que a conversa vai fluindo. E então surge o difícil e belo sentimento que denominamos: saudade.

Saudade fico feliz em saber que consigo fala no único idioma que consegue exprimir esse sentimento que cala tão fundo em nós. E sempre que me perguntam se eu sinto saudade, eu respondo que sim. É óbvio que sinto saudade; seria insensível caso não sentisse. No entanto percebo cada vez mais que tenho a saudade saudável; aquela que me faz feliz por ter vivenciado aqueles momentos agora lembrados.

Diferente do que muitos consideram, a saudade não é um sentimento a se remeter com a tristeza. Ao contrário, esse é um sentimento a respeito da felicidade que aconteceu e precisou em um momento da vida ser revisitado para logo em seguida se olhar para frente e perceber que sim, andou-se para frente e aquele momento revisitado foi responsável pela realidade do hoje.

A primeira coisa que rodeiam meus pensamentos sobre saudade são a respeito do tipo de saudade que se sente. Há mais de um tipo de sentir esse momento da vida. Agora me ocorrem três deles, são: a saudade da nostalgia, a saudade negativa, a saudade positiva. 

A saudade da nostalgia penso que seja onde se relembra como se aquele tivesse sido o melhor momento da vida, como se todo o resto não prestasse que aquilo sim é que era vida; era feliz e não sabia; e todos os inúmeros clichês que envolvem isso, porém sabia que não era nostalgicamente que relembrava. 

E como seria, então a saudade negativa? Onde a pessoa se arrepende amargamente, amarguradamente de suas ações e sente-se enraivecido com tudo e com todos por ser a eterna vítima das circunstâncias, que a mãe ‘obrigava’ a fazer o que mais lhe dava vergonha e achava isso uma gracinha ou coisas afins, também não era dessa forma que as lembranças estavam sendo vasculhadas. 

E pensar também em uma saudade positiva?  Como seria? Que confere a vida pregressa e fica satisfeito porque fez o que suas forças permitiam serem feitas, pois dentro do intervalo tempo e espaço agiu de acordo e razoavelmente dentro da própria consciência e honestidade com a mentalidade que a idade e a época permitiam.

Muito provavelmente devam existir muitos outros tipos de saudade, mas só conheço esses três e já está de bom tamanho.

Júnior Santiago
(Camocinense, Graduado em filosofia chancelado pela UFG e atualmente faz teologia na PUC Minas Gerais. Congregação São Pedro Ad Víncula)

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