quinta-feira, 16 de junho de 2016

DELAÇÃO DE MACHADO CHEGA A TEMER

A delação premiada do ex-presidente da Transpetro, o cearense Sergio Machado, aponta que mais de 20 políticos teriam recebido propina por intermédio da subsidiária da Petrobras. Na colaboração, que se tornou pública ontem, Machado cita o presidente em exercício Michel Temer (PMDB), senadores, ministros, ex-ministros e deputados.

Machado afirma que Temer havia pedido R$ 1,5 milhão em propina para ajudar na campanha de Gabriel Chalita, candidato à Prefeitura de São Paulo em 2012. Conforme a delação, o repasse de recursos ilícitos seria feito pela empreiteira Queiroz Galvão, via doação oficial. Temer nega as acusações. 


De acordo com o ex-presidente da Transpetro, o esquema, que envolvia PT, PMDB, PP, PSB e PSDB, durou pelo menos sete anos. De 2007 a 2014, ele fala que movimentou com a ajuda dos filhos dinheiro por contas na Suíça e organizou pagamentos mensais para nomes como o do peemedebista Renan Calheiros, presidente do Senado.

Segundo o delator, políticos costumavam procurá-lo para pedir propina ou “ajuda” nas campanhas. No caso do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), um dos pedidos se referia a quitar dívida com o banco BVA. Após os encontros, Machado cobrava pagamento das empresas que haviam ganho licitações da Transpetro. Aquelas que não pagavam, explica, eram eliminadas de futuros certames. 

Machado afirma também que somente o PMDB, partido que o havia indicado ao cargo na Transpetro, teria se beneficiado de mais de R$ 100 milhões em propinas em contratos com a estatal.

Temer

Em nota, o presidente em exercício Michel Temer rebateu Machado e disse que sempre respeitou os limites legais de campanhas eleitorais. “É absolutamente inverídica a versão de que teria solicitado recursos ilícitos ao ex-presidente da Transpetro Sergio Machado – pessoa com quem mantinha relacionamento apenas formal e sem nenhuma proximidade”, defendeu-se. 

Cinco nomes do PT, entre eles os dos ex-ministros Edson Santos e Ideli Salvatti, também foram citados por Machado. Em número de envolvidos na delação, o partido aparece em segundo lugar. Já o PMDB teve nove citados pelo cearense. Entre eles, o senador Jader Barbalho e o ministro do Turismo Henrique Alves.

Também foram mencionados presidentes de partidos de oposição, como os senadores José Agripino Maia (DEM) e Aécio Neves (PSDB). Na delação de Machado, o PSDB surge como o segundo maior beneficiário, tendo arrecadado R$ 2 milhões, segundo planilhas do delator.

Com a delação premiada, Sergio Machado tenta preservar os filhos, que também colaboram com a Lava Jato, e se compromete a devolver 
R$ 75 milhões aos cofres públicos. 

Com exceção do deputado Heráclito Fortes, em missão oficial no Panamá, todos os citados por Machado negaram que tenham recebido qualquer tipo de recurso ilícito. Por meio de notas, alguns argumentares afirmaram que Machado não teria credibilidade para acusá-los de nada.

“Eu não trato de declarações deste canalha porque não sou especialista em estrume [...] Inclusive, sou pessoalmente incompatibilizado com este canalha, não falo com ele há anos”, disse Jader Barbalho. (com agências)

1. Aécio Neves. O senador tucano teria recebido R$ 1 milhão durante articulação para viabilizar sua candidatura à presidência da Câmara em 2000.
2. Edison Lobão. Senador receberia a “maior propina do PMDB” por ser ministro e porque a Transpetro estava vinculada ao ministério que ele comandava. Ele teria recebido R$ 24 milhões.
3. Valdir Raupp. Teria recebido a quantia de R$ 850 mil através de empreiteiras para campanha eleitoral. 
4. Renan Calheiros. Renan teria começado a receber propina entre 2004 e 2005. Mas passou a receber uma "mesada" de R$ 300 mil a partir de 2008.
5. Romero Jucá. Teria recebido recurso da JBS. Pelo menos R$ 40 milhões teriam sido destinados à bancada do PMDB.
6. José Sarney. Teria recebido R$ 18,5 milhões da Petrobras para campanha.
7. Michel Temer. Presidente em exercício teria pedido doação de R$ 1,5 milhão para Chalita, na campanha em 2012.
8. Jader Barbalho. Teria recebido recurso da JBS. Pelo menos R$ 40 milhões teriam sido destinados à bancada do PMDB.
9. Walter Alves. Teria recebido doação de R$ 250 mil para campanha eleitoral.
10. Felipe Maia. Teria recebido R$ 250 mil em propina. 
11. Jorge Bittar. Teria recebido R$ 200 mil de propina da Queiroz Galvão.
12. Agripino Maia. Teria recebido R$ 300 mil em propina de empreiteiras através de doação oficial em campanha.
13. Cândido Vaccarezza. O ex-deputado teria recebido R$ 500 mil em propina de empreiteiras através de doação oficial em campanha.
14. Francisco Dornelles. Teria recebido R$ 250 mil em propina de empreiteiras através de doação oficial em campanha.
15. Henrique Alves. Teria recebido R$ 1,5 milhão em propina de empreiteiras através de doação oficial em campanha.
16. Jandira Feghali. Teria recebido R$ 100 mil em propina de empreiteiras através de doação oficial em campanha.
17. Sarney Filho. Teria recebido R$ 400 mil em doações ilícitas na campanha de 2010.
18. Garibaldi Alves. Teria recebido R$ 700 mil em propina de empreiteiras através de doação oficial em campanha.
19. Ideli Salvatti. Teria recebido R$ 500 mil em propina de empreiteiras através de doação oficial em campanha.
20. Edson Santos. Teria recebido R$ 142,4 mil em propina de empreiteiras através de doação oficial em campanha.

O Povo

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